Negociações entre EUA e Irã possuem divergências e geram incerteza se podem ocorrer ou não; entenda

 

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As negociações entre Estados Unidos e o Irã estavam marcadas para começar nesta sexta-feira (10) no Paquistão, para negociar o fim da guerra. Entretanto, diversas divergências geram dúvidas se elas iniciarão neste sábado (11) ou podem até mesmo ser adiadas.

Nessa quinta-feira à noite (9), a delegação iraniana, chefiada pelo presidente do Parlamento, embarcou para Islamabad, segundo a mídia americana. O Irã, por outro lado, nega. Segundo uma autoridade informou para a agência de notícias estatal Tasnim, a notícia é 'completamente falsa'.

A mesma fonte, que preferiu não se identificar, enfatizou que 'enquanto os Estados Unidos não cumprirem seus compromissos com relação ao cessar-fogo no Líbano e o regime sionista continuar seus ataques, as negociações serão suspensas'.

A mesma posição já tinha sido expressa nessa quinta-feira (9) pelo regime de Teerã.

Por outro lado, a chegada da comitiva americana, liderada pelo vice-presidente JD Vance, no entanto, está prevista para sábado (11).

O governo paquistanês declarou feriado nesta sexta (10) e sábado (11) na capital para facilitar o deslocamento das comitivas, sob um forte protocolo de segurança.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante coletiva de imprensa na Casa Branca.

BRENDAN SMIALOWSKI / AFP

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, segundo a agência de notícias estatal Tasnim, disse que o Irã não participará de negociações no Paquistão nesta sexta-feira (10) a menos que o cessar-fogo seja respeitado 'em todas as frentes'.

Ele afirmou que o governo paquistanês 'convidou ambas as partes a viajarem para Islamabad para realizar essas negociações, que estão atualmente em fase de revisão e planejamento'.

'No entanto, a realização dessas negociações está, sem dúvida, condicionada à obtenção de garantias de que os Estados Unidos honrarão suas obrigações de cessar-fogo em todas as frentes'.

Também acrescentou que, caso os EUA sejam contra o cessar-fogo no Líbano, estariam cometendo 'uma violação dos compromissos' firmados anteriormente.

Essa defesa foi complementada pelo presidente do parlamento iraniano, Mohammad-Bagher Ghalibaf, considerado o principal negociador com os Estados Unidos e que estará no Paquistão para as conversas.

Segundo ele informou, em publicação nas redes sociais, devem ser cumpridos antes do início das negociações um 'cessar-fogo no Líbano e a liberação dos ativos bloqueados do Irã antes do início das negociações'.

Ele disse que as medidas foram 'acordadas mutuamente entre as partes e ainda não foram implementadas'.

O que buscam as negociações?

Edifício no centro de Beirute, no Líbano, cai após ser atingido por míssel

Fadel Itani/AFP

O objetivo central do encontro é transformar o atual cessar-fogo temporário de duas semanas em um acordo de paz permanente. Mas apesar do agendamento do encontro, o governo iraniano ainda condiciona a participação efetiva nas conversas ao estabelecimento de um cessar-fogo também no Líbano.

Sob pressão do presidente Donald Trump, o governo de Israel anunciou que vai negociar um acordo de paz diretamente com o governo libanês, mas sem interromper a ofensiva.

Segundo a agência francesa AFP, o encontro entre representantes dos dois países está previsto para a semana que vem, em Washington. A informação foi confirmada pela agência de notícias Reuters, citando um alto funcionário libanês.

Destruição de Beirute, no Líbano, após ataque de Israel.

AFP