Negociação avança, e greve de funcionários da USP pode se encerrar na sexta

 

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O Sindicato de Trabalhadores da Universidade de São Paulo (Sintusp) recebeu da reitoria uma proposta atendendo demandas para encerrar uma greve que já dura nove dias, e deve votá-la entre hoje e amanhã. Se a negociação seguir conforme o previsto, é possível que os funcionários voltem ao trabalho já nesta sexta-feira.

Os servidores da maior universidade do país pausaram suas atividades no último dia 14, reivindicando equiparação de uma gratificação que havia sido concedida só a servidores com cargo de docente. O movimento foi seguido também por alunos, por convocação do Diretório Central dos Estudantes (DCE), que também segue em paralisação.

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— As propostas da Reitoria contemplam os eixos principais da nossa pauta, só que a gente apresentou algumas contrapropostas no sentido de ter uma maior precisão nos termos para fechar um eventual acordo — afirma Reinaldo Souza, integrante da diretoria do Sintusp. — Houve um compromisso público feito na reunião de negociação com os representantes da reitoria de que eles vão cumprir todos os termos que estão no acordo que a gente está costurando.

A principal demanda do sindicato é que os trabalhadores da USP sejam elegíveis para a nova gratificação. O suplemento mensal de R$ 4.500 anunciado em março pelo reitor Aluísio Segurado, que assumiu o cargo neste ano, se destina porém apenas a professores em regime de dedicação exclusiva, que são cerca de 88% do total de docente.

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A gratificação foi criada pela reitoria, porém, com o objetivo de estimular professores a criarem projetos extraordinários para ensino, pesquisa, inovação, cultura, extensão e gestão. A verba mensal associada vale pelo período de até dois anos enquanto as atividades de cada projeto são realizadas.

"No mês de março, a Reitoria recebeu um Plano de Valorização da Qualificação, elaborado por um grupo de servidores. O documento encontra-se em análise quanto à sua viabilidade técnica e econômico-financeira", afirmou comunicado oficial da Universidade. "Duas demandas recorrentes da categoria também estão em fase de implementação: o programa Renova USP (para readaptação funcional) e o novo sistema de mobilidade interna."

O Sintusp faz uma nova assembleia nesta tarde para alinhar pontos de negociação. Se tudo for resolvido, um eventual fim da greve pode ser votado amanhã.

O comunicado mais recente que a reitoria emitiu sobre a greve não menciona, porém, pontos de reivindicação da greve de estudantes. Os alunos da universidade que aderiram à suspensão de atividades reivindicam medidas para facilitar a permanência na USP, com aumento no valor das bolsas. Eles pedem também medidas para melhorar o funcionamento dos restaurantes universitários.

Em algumas unidades da USP, os estudantes bloquearam entradas de faculdades como forma de protesto. Nas redes sociais, os universitários compartilharam fotos de cadeiras e mesas empilhadas em corredores e salas de aula.

Segundo o DCE e o Sintusp, a greve teve bia adesão tanto no campus da capital e quanto nos campi do interior de São Paulo. A reitoria afirma que a greve teve algum impacto no funcionamento da universidade, mas a maioria das unidades foi pouco afetada.

"De 86 unidades e órgãos administrativos da Universidade, 69 registraram nenhuma ou baixa adesão de servidores ao movimento, enquanto 17 apresentaram adesão de moderada a alta desse segmento", afirmou comunicado.

Nesta tarde estão previstas mais duas assembleias, uma de funcionários outra de estudantes, e uma passeata saindo do campus.