Nego Álvaro leva o samba ao Teatro Municipal ao completar dez anos de carreira

 

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Do Catiri, em Bangu, à apresentação do próximo dia 6 de abril no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Nego Álvaro marca seus dez anos de carreira solo com um show em um dos espaços mais tradicionais da música erudita no país. A data simboliza um novo momento na trajetória do artista, construída a partir das rodas de samba do Rio. A celebração vai contar com participações de sambistas como Diogo Nogueira, Moacyr Luz, Marina Íris, Altay Veloso e Marcelle Motta.

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— É algo que eu imaginava viver daqui a 20 anos. Eu vejo isso como representatividade de uma geração que faz samba na rua, que levanta, que ocupa espaço. Eu estou ali no palco, mas levando muita gente comigo. É simbólico: um artista preto, periférico, cantando samba num espaço considerado erudito. Eu tenho 37 anos, dez de carreira solo. Isso é uma vitória muito grande. Quem sabe isso não abre mais caminhos daqui pra frente — pontua.

Criado na Zona Oeste do Rio, ele teve no pandeiro o primeiro contato com a música ainda criança. Mas foi nas rodas que encontrou sua principal formação. Mais do que técnica, ali construiu sua forma de se relacionar com o público e com o próprio samba.

— A gente aprende, se sente pertinho, troca energia, aprende a lidar com o outro, com o olhar do outro. A roda de samba é uma escola enorme pro sambista, é muita coisa. Eu posso falar que o samba me moldou, me formou como cidadão, como pessoa. O samba me mostrou o respeito pelos mais velhos — resume.

Antes de assumir o microfone como cantor, ganhou reconhecimento como percussionista. Seu nome circulava entre músicos e frequentadores das rodas, principalmente pelo domínio do pandeiro. Esse caminho o levou a espaços importantes, como o Samba do Trabalhador, onde a relação com o canto passou a se consolidar. A transição para a carreira solo aconteceu de forma orgânica. Um dos pontos de virada veio com o incentivo de Moacyr Luz, que o encorajou a gravar o primeiro álbum, lançado em 2016.

Nego Álvaro marca seus 10 anos de carreira solo no Theatro Municipal

Diego Mendes/ Divulgação

— Essa transição foi espontânea. Eu tocava nas rodas, comecei a cantar nelas, e isso foi mostrando a possibilidade de ser cantor. No Samba do Trabalhador, eu entrei como músico, depois comecei a cantar aos poucos, até assumir mais esse lugar. Quem acendeu isso em mim foi o Moacyr Luz. Ele me chamou e disse que queria gravar um disco meu. Eu falei que não era cantor, mas ele insistiu. Um dia eu resolvi e gravei — relembra.

Desde então, vieram também os reconhecimentos. Nego Álvaro foi indicado três vezes ao Grammy Latino. As notícias chegaram de forma inesperada — uma delas por mensagem.

— De repente, eu recebo uma mensagem de uma amiga que trabalhou comigo há um tempo falando: “Você está no Grammy”. Ela me deu uma notícia maravilhosa, que eu guardei e dividi logo na hora com a minha mulher. Eu nem sabia que o meu disco estava indicado. Eu falei: “Ué, de onde veio isso?” — lembra o cantor da primeira das três indicações.

Ao longo da carreira, o artista acumulou experiências em grandes palcos. Com Beth Carvalho, viveu um dos momentos mais marcantes numa apresentação. Já no Rock in Rio, ao participar do show de Alicia Keys, ampliou sua percepção sobre o alcance da música.

— Aquilo ali foi uma virada. Eu olhava para ela e para aquele público todo cantando e pensava: “Quero isso”. Aquilo me impulsionou.

No Municipal, o show ganha um significado que vai além da celebração individual. Para o cantor, é também um símbolo da força do samba que nasce nas rodas e ocupa novos espaços na cidade. A apresentação coincidiu com os dez anos de carreira solo e se conecta à turnê “Festa do samba”.

— Eu entendo o samba como algo sagrado, quase como uma entidade. Por isso digo: o samba é o sagrado e a festa é dele. Eu vejo o samba como algo maior, não só um gênero musical — conclui.

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