Negar candidatura de Lula é como duvidar que o homem foi à Lua
De acordo com uma pesquisa recente do Datafolha, um em cada três brasileiros não acredita que o homem já foi à Lua. É um negacionismo similar ao daqueles que alimentam a ideia de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não será candidato à reeleição em outubro.
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Em entrevista ao portal ICL na quarta-feira (8), Lula disse duas frases aparentemente contraditórias: “Eu falo que não decidi que vou ser candidato ainda” e “Todo mundo sabe que dificilmente eu deixarei de ser candidato”. Era apenas um político experiente fazendo mistério para atrair mais atenção para si.
Acreditar na hipótese de Lula da Silva não ser candidato à reeleição nas condições atuais é, na hipótese mais educada, excesso de wishful thinking. É o desejo que, como mostrou o colunista Lauro Jardim, moveu dois bancos a encomendar pesquisas substituindo Lula por Fernando Haddad.
De fato, Lula disse a mais de um assessor que podia não se candidatar quando se recuperava do acidente doméstico que o obrigou a uma cirurgia craniana, em dezembro de 2024. Rapidamente a primeira-dama Janja da Silva o convenceu do contrário.
Lula vive de ser aclamado. Após a terceira derrota em disputas presidenciais, em 1998, ele sugeriu que poderia não ser candidato novamente em 2002. Em 2000, ele marcou um jantar no apartamento do então presidente do PT, José Dirceu, com os deputados José Genoíno e Aloizio Mercadante, o senador Eduardo Suplicy, o prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro, e o governador do Distrito Federal, Cristóvam Buarque — os nomes ascendentes naquele momento no PT.
“Se não for eu, vai ser um de vocês”, disse Lula. “Saí do jantar convencido que o próprio Lula era o candidato”, me disse à época Tarso Genro. “Só haveria uma opção se o Lula pegasse o candidato debaixo do braço e dissesse ‘esse é o escolhido’”, me contou Genoíno. Todos compreenderam que Lula não estava abrindo a possibilidade de não ser candidato. Estava impondo condições ao partido para aceitar ser candidato, com ter um candidato a vice mais ao centro, um marqueteiro profissional e total autonomia sobre as várias tendências esquerdistas do PT. Apenas Suplicy acreditou na encenação e se inscreveu para disputar prévias, em busca de popularidade. Foi derrotado em março de 2002. Nunca foi totalmente perdoado por Lula.
Mesmo em 2018, quando estava condenado por corrupção e prestes a ser preso, Lula mantinha as esperanças de ser candidato da cela da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Ele recusou as sugestões de gravar um vídeo que pudesse ser usado na campanha defendendo seu substituto e reclamou horrores da campanha do segundo turno de Fernando Haddad, na qual ele não aparecia tanto quanto no primeiro turno.
Assim como a tripulação da Artemis II deu a volta na Lua e fez lindas fotos do satélite e da Terra — redonda —, Lula será candidato à reeleição.
