Índia e Japão anunciam primeiro pacto de codesenvolvimento em defesa

Índia e Japão anunciam primeiro pacto de codesenvolvimento em defesa

Fonte: Bandeira



A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, realizou nesta quinta-feira conversas com seu colega indiano, Narendra Modi, em Nova Déli.

Os dois lados anunciaram uma série de iniciativas para expandir a cooperação, incluindo nas áreas de defesa, tecnologia, segurança econômica e energética.


"Há poucos dias, na cúpula do G7, eu disse que, na atmosfera atual de turbulência global, a confiança mútua é nosso maior ativo estratégico, e tenho orgulho de que a parceria Índia-Japão esteja plenamente testada nesse quesito", disse Modi a repórteres em hindi após suas conversas com Takaichi, a quem se dirigiu como sua "irmã mais nova".


Takaichi chegou a Nova Déli na noite de quarta-feira para uma visita de três dias – sua primeira visita à Índia desde que assumiu o cargo em outubro do ano passado.


"Um Indo-Pacífico livre, próspero e baseado em regras é nossa prioridade compartilhada", disse Modi, acrescentando que os dois líderes acreditam que a parceria tecnológica será o pilar mais forte de sua cooperação bilateral.

Os dois lados também emitiram uma declaração conjunta abordando a cooperação em inteligência artificial.

"A convergência da tecnologia de precisão do Japão e das capacidades de software da Índia dará uma nova velocidade e força ao desenvolvimento global da inteligência artificial", disse Modi.


Falando em japonês, Takaichi também enfatizou que os dois lados "devem alavancar seus respectivos pontos fortes para se tornarem mais fortes e prósperos juntos".


"A expansão da cooperação em segurança marítima é especialmente importante para a paz e a estabilidade regional", disse ela, acrescentando que o Japão e a Índia intensificarão os exercícios militares no Oceano Índico, promoverão a cooperação em manutenção, reparo e revisão naval e fortalecerão a cooperação em equipamentos no âmbito do programa "Make in India", que visa transformar o país sul-asiático em um polo global de manufatura.

Ela também destacou a necessidade urgente de construir resiliência em "nossas cadeias de suprimento de minerais críticos".


Na área de defesa, os líderes chegaram a um acordo sobre o primeiro projeto de codesenvolvimento entre a Índia e o Japão: um sistema de comunicações para navios de guerra chamado Unicorn (sigla em inglês para Complexo Unificado de Rádio-Antena).

Modi disse que eles desenvolveriam conjuntamente essas tecnologias de defesa para fortalecer a paz regional, a segurança marítima e uma ordem baseada em regras.

Um acordo também foi assinado nas áreas de produtos farmacêuticos, dispositivos médicos e biotecnologia, com o objetivo de contribuir para a segurança sanitária global.


Além disso, os dois países elaboraram um roteiro conjunto para a segurança econômica, visando fortalecer a resiliência da cadeia de suprimentos em áreas estratégicas como semicondutores, materiais quânticos e avançados.

No campo da segurança energética, diversas decisões foram tomadas, incluindo a Iniciativa de Biogás Índia-Japão, por meio da qual a Índia receberá apoio para a instalação de mil usinas de biogás e fertilizantes orgânicos.


Uma declaração conjunta divulgada na quinta-feira informou que Modi e Takaichi reafirmaram a importância da Ferrovia de Alta Velocidade Mumbai-Ahmedabad como um projeto emblemático entre os dois países.

"A primeira-ministra Takaichi declarou que o Japão compreende plenamente a meta da Índia de iniciar as operações comerciais em trechos prioritários em 2027 e permanece comprometido em ampliar a cooperação necessária", diz a declaração.


A declaração também afirma que os dois primeiros-ministros expressaram séria preocupação com a situação no Mar da China Oriental e no Mar da China Meridional, bem como com os programas nucleares e de mísseis da Coreia do Norte.

Eles reiteraram seu compromisso com a paz e a estabilidade sustentáveis no Oriente Médio e expressaram apoio a uma paz justa e duradoura na Ucrânia, em conformidade com o direito internacional.


Shamshad Ahmad Khan, especialista em relações indo-japonesas e professor assistente de relações internacionais no campus de Dubai do BITS Pilani, observou que a visita de Takaichi a Nova Déli para a 16ª cúpula anual Índia-Japão "é um indicativo de que o Japão está interessado em aumentar seus investimentos na Índia".


Gitanjali Sinha Roy, professora assistente de relações internacionais, estudos indo-pacíficos e estudos japoneses na Universidade Global O.P.

Jindal, afirmou que o comércio é um dos fatores mais importantes nas relações entre os dois países, já que tanto o setor público quanto o privado buscam impulsionar o intercâmbio de mercadorias.


"A capacidade produtiva da Índia ajudará a economia japonesa", disse ela ao “Nikkei Asia”, ressaltando que as empresas japonesas desejam produtos de alta qualidade que atendam às necessidades do mercado interno.


No ano fiscal encerrado em março, o comércio bilateral atingiu US$ 27,47 bilhões, incluindo US$ 21,43 bilhões em exportações do Japão para a Índia.


A viagem de Takaichi à Índia ocorre após a visita de Modi a Tóquio em agosto do ano passado, durante a qual Tóquio estabeleceu uma meta de 10 trilhões de ienes (US$ 62 bilhões) em investimentos na Índia na próxima década.

Modi afirmou na quinta-feira que, ao longo do último ano, cerca de 120 novos acordos comerciais foram concluídos entre os dois países, o que trará mais de US$ 10 bilhões em investimentos japoneses para a Índia.