Navios de guerra dos EUA cruzam o Estreito de Ormuz enquanto negociações ocorrem com o Irã no Paquistão, diz mídia americana

 

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Dois contratorpedeiros de mísseis guiados da Marinha dos EUA atravessaram neste sábado o Estreito de Ormuz, de acordo com três funcionários americanos ouvidos pelo jornal Wall Street Journal, marcando a primeira vez que embarcações do país transitaram pela via desde o início da guerra, há seis semanas. Não foram relatados problemas, e a operação foi descrita como uma missão de navegação livre. Os navios não escoltavam embarcações comerciais, disseram as autoridades. Sem mencionar a operação, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que os EUA haviam iniciado "o processo de desbloqueio de Ormuz" em uma postagem em sua plataforma Truth Social.

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A medida foi tomada enquanto equipes de negociação americanas e iranianas se reúnem no Paquistão para discutir o fim da guerra. A reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo e gás mundial, é uma das principais reivindicações dos EUA nas negociações. No início das conversas em Islamabad, Teerã manteve publicamente suas exigências de que Israel encerre a guerra no Líbano e que os EUA descongelem fundos iranianos bloqueados. Mais cedo, uma fonte iraniana disse à Reuters que Washington havia concordado com a liberação dos fundos, mas a informação foi negada por uma autoridade americana.

De acordo com o portal Axios, o trânsito por Ormuz não foi coordenada com o Irã e teve o objetivo de aumentar a confiança de navios comerciais de que é possível cruzar a passagem.

— Esta foi uma operação centrada na liberdade de navegação em águas internacionais — disse o oficial americano ao portal.

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Em sua postagem, o presidente americano também reiterou suas críticas aos países que, segundo avalia, não fizeram nada para garantir a segurança na via, cujo bloqueio pelo Irã elevou os preços dos combustíveis.

"Agora iniciamos o processo para desbloquear o estreito de Ormuz como um favor para países de todo o mundo, incluindo China, Japão, Coreia do Sul, França, Alemanha e muitos outros", escreveu o republicano naTruth Social. “Incrivelmente, não têm o valor nem a vontade de fazer o trabalho eles mesmos”, acrescentou.

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Trump também criticou os meios de comunicação que asseguram que o Irã está ganhando a guerra contra os Estados Unidos, "quando na realidade todo o mundo sabe que está PERDENDO E PERDENDO FEIO".

"A única coisa que tem em seu favor é a ameaça de que um barco possa 'chocar' contra uma de suas minas navais" no estreito, disse, acrescentando que toda a frota de 28 barcos que disseminam minas no local "estão no fundo do mar" pelos ataques americanos.

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Negociações

A delegação americana é liderada pelo vice-presidente JD Vance, que se reúne com autoridades iranianas ao lado de Steve Witkoff e Jared Kushner. Pelo lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o chanceler Abbas Araghchi participam das negociações. Ambos os países têm como desafio fechar acordos limitados em um prazo de duas semanas, estabelecido pela trégua intermediada pelo Paquistão na terça-feira.

O Irã enviou ao Paquistão uma delegação de ao menos 70 pessoas, que inclui diplomatas e negociadores experientes, especialistas em finanças e sanções, oficiais militares e consultores jurídicos, de acordo com a mídia iraniana e uma lista da delegação vista pelo The New York Times.

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Além do chanceler iraniano e do presidente do Parlamento, foram a Islamabad Ali Bagheri Kani, membro do Conselho de Segurança Nacional do Irã; o almirante Ali Akbar Ahmadian, ex-chefe do Estado-Maior da Guarda Revolucionária Islâmica e secretário do Conselho de Segurança Nacional; o general Esmail Ahmadi Moghadam, comandante militar reformado e atual diretor da Universidade Nacional de Defesa do Irã; e Abdolnasser Hemati, governador do Banco Central do Irã.

Três altos funcionários iranianos familiarizados com as negociações disseram que a equipe do Irã tinha plena autoridade para tomar decisões no Paquistão e não precisava consultar Teerã, dada a natureza crítica das negociações. Os funcionários, que pediram para não serem identificados por estarem discutindo assuntos delicados, disseram que o novo líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei, havia dado a Ghalibaf, um amigo e aliado próximo, o poder de fechar um acordo ou abandoná-lo.

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O vice-presidente do Irã, Mohammad Reza Aref, afirmou em uma publicação nas redes sociais na sexta-feira que Ghalibaf agora “representa a nação e o nezam”, usando a palavra persa para se referir a todo o sistema da República Islâmica, que inclui não apenas o governo eleito, mas também o líder supremo. “Desejo-lhe sucesso”, disse Aref.

— O que podemos inferir da delegação iraniana é que eles não vieram para obstruir as negociações — disse Vali Nasr, professor de estudos do Oriente Médio e especialista em Irã da Universidade Johns Hopkins. — Eles vieram com plena autoridade e seriedade para chegar a um acordo com os Estados Unidos.

Com AFP e New York Times