Navio russo à deriva vira 'bomba-relógio' para Itália e Malta por risco de desastre ambiental; entenda

 

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Um navio-tanque russo danificado após um suposto ataque com drones está à deriva no Mediterrâneo central e passou a ser tratado como uma potencial “bomba-relógio” ambiental por autoridades europeias. A embarcação, carregada com grandes quantidades de gás natural liquefeito (GNL) e combustível, preocupa Itália e Malta pelo risco de vazamento e desastre ecológico.

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De acordo com a CNN Portugal, o navio, identificado como Arctic Metagaz, transporta cerca de 900 toneladas de diesel e mais de 60 mil toneladas de GNL. Sem tripulação e sem controle de navegação, ele permanece à deriva entre Malta e a ilha italiana de Lampedusa há vários dias.

Imagens aéreas mostram a embarcação com danos significativos, inclinada e com um rasgo na lateral, além de sinais de material vazando para o mar. O incidente teria ocorrido no início de março, quando o navio foi alvo de um ataque com drones em águas internacionais, segundo o governo russo. Moscou classificou o episódio como um “ato de terrorismo” e atribuiu a ação à Ucrânia, que não comentou o caso.

A tripulação, formada por cerca de 30 pessoas, abandonou o navio após um incêndio a bordo. Alguns sofreram queimaduras e foram resgatados pela Guarda Costeira da Líbia.

Desde então, a embarcação se transformou em uma preocupação crescente para autoridades italianas. O governo da primeira-ministra Giorgia Meloni realizou reuniões de emergência e decidiu que o navio não deve ser levado a portos italianos, devido ao alto risco.

— Trata-se de uma bomba-relógio cheia de gás — disse um representante do governo italiano envolvido nas discussões.

Equipes de emergência e rebocadores foram posicionados na região, prontos para atuar em caso de agravamento da situação. No domingo, o navio estava a cerca de 32 quilômetros da ilha de Linosa, no sul da Itália.

Especialistas ambientais alertam que um eventual vazamento pode ter consequências graves e duradouras. Segundo o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), a carga do navio é “extremamente perigosa” e pode gerar incêndios, contaminação da água e danos irreversíveis à vida marinha.

A área onde o navio se encontra é considerada uma das mais ricas em biodiversidade do Mediterrâneo, rota de espécies como atum-rabilho e espadarte, além de abrigar ecossistemas sensíveis. Além do risco ambiental, o caso também expõe a chamada “frota fantasma” da Rússia — navios antigos utilizados para driblar sanções internacionais impostas após a invasão da Ucrânia em 2022.