Navio de guerra russo realiza exercícios com fogo real no Canal da Mancha, e ministro britânico fala em ação ‘irresponsável’

Navio de guerra russo realiza exercícios com fogo real no Canal da Mancha, e ministro britânico fala em ação ‘irresponsável’

Fonte: Bandeira



Um navio de guerra russo, acompanhado por uma embarcação da Marinha Real britânica, realizou na segunda-feira um exercício de artilharia com munição real a apenas 74 km ao sul de Plymouth, na Inglaterra.

A Marinha Real monitorou o exercício e acompanha “de perto a atividade da embarcação”, disse um porta-voz do Ministério da Defesa nesta terça, enquanto o novo ministro da Defesa britânico, Wes Streeting, classificou a ação como “irresponsável”.


— Não é a primeira vez que a Rússia age dessa forma e, francamente, isso é apenas a ponta do iceberg das ameaças cotidianas enfrentadas pelo Reino Unido, assim como por nossos aliados — disse Streeting, nomeado na segunda-feira ministro da Defesa pelo novo premier trabalhista, Andy Burnham, acrescentando, sem mais detalhes, que Moscou “não deve ter dúvidas sobre a determinação” do novo governo.


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As manobras ocorreram no mesmo dia em que Burnham assumiu o cargo de primeiro-ministro, ocasião em que afirmou que estaria “100% ao lado da Ucrânia”, mantendo a postura de seu antecessor, Keir Starmer.

O Kremlin afirmou que não houve qualquer relação entre o exercício e a posse de Burnham, mas afirmou que o premier enviou sinais à Rússia.


— Todos os exercícios [militares] e todas as ações realizadas por nossos navios de guerra são conduzidos em estrita conformidade com o direito internacional e o direito marítimo.

Portanto, não há necessidade de enxergar qualquer sinal nisso — disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, à BBC.

— [Mas] uma das primeiras coisas que o novo premier britânico fez ao assumir o cargo foi declarar seu apoio incondicional à Ucrânia e, consequentemente, anunciar a intenção do Reino Unido de continuar fazendo tudo o que puder para prolongar a guerra.

Antes de abrir fogo, a fragata russa Neustrashimy (“Destemida”) comunicou ao navio-patrulha oceânico da Marinha Real HMS Tyne sua intenção de realizar uma atividade de tiro e pediu que a embarcação se reposicionasse para uma distância mais segura, o que foi feito.

A fragata russa também estava sendo monitorada por uma aeronave militar francesa, que fez contato por rádio com o navio e pediu esclarecimentos.


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Dados de voo do serviço ADS-B Exchange indicam que pelo menos quatro aeronaves da Força Aérea Real (RAF) e da Marinha Real sobrevoavam a costa de Dorset, em sua maior parte sobre as águas territoriais britânicas.

Entre elas estavam dois caças Eurofighter Typhoon, um avião-tanque Voyager para reabastecimento em voo e um helicóptero Super Lynx.

Um helicóptero militar francês H160M Guépard também sobrevoou o Canal da Mancha.

O incidente serve de lembrete ao novo premier sobre o aumento da atividade naval russa nas proximidades das águas britânicas nos últimos meses, publicou a BBC.

No mês passado, comandos dos Fuzileiros Navais britânicos abordaram um petroleiro da chamada “frota fantasma” da Rússia no Canal da Mancha, em uma operação de seis horas — a primeira desse tipo realizada pelas Forças Armadas do Reino Unido.

No mesmo mês, um casal britânico que navegava em águas internacionais no Canal da Mancha encontrou o navio de guerra russo Admiral Grigorovich a 42 km da Ilha de Wight, na Inglaterra.

A fragata disparou tiros de advertência enquanto o casal Jane e Alan Kelvey navegavam em seu veleiro, no que o Ministério da Defesa russo classificou como uma “aproximação perigosa”.

Os dois, porém, afirmaram que não estavam em rota de colisão.

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Navios de guerra russos atravessam regularmente as águas internacionais do Canal da Mancha, que são distintas das águas territoriais do Reino Unido e da França.

Tom Sharpe, ex-comandante da Marinha Real, disse à BBC que é “muito incomum” realizar um exercício de tiro tão próximo da costa sul da Inglaterra.

— É totalmente permitido, mas, na minha opinião, trata-se de um sinal — disse, ressaltando que, além do aviso dado ao HMS Tyne, o navio russo não adotou outras medidas de segurança antes de disparar um canhão de 100 milímetros.

— Um dos problemas de disparar uma arma desse calibre é que o projétil pode ricochetear por quilômetros.

Você está na rota marítima mais movimentada do mundo e ninguém sabe para onde isso pode ir.

Questionado sobre como o Reino Unido deveria responder, o ex-comandante afirmou:

— Pode-se argumentar que isso foi uma resposta deles a nós, porque elevamos o nível de tensão no Canal da Mancha.

Nós abordamos o MV Smyrtos, um dos navios da frota fantasma deles.

Então estamos nesse jogo de ação e reação, que era uma espécie de normalidade da Guerra Fria.

Apenas nos esquecemos de que esse tipo de coisa acontecia o tempo todo, mas precisamos reconhecer que está chegando cada vez mais perto do Reino Unido.

(Com AFP)