Nascido no Reino Unido, menino é impedido de voltar para casa na Itália por 'não existir' em sistema; entenda
Um menino de nove anos nascido em Cardiff está impedido de voltar para casa no Reino Unido após ser barrado no embarque por falta de comprovação de status migratório, depois de uma mudança recente nas regras de entrada no país. David Toropu viajava com a família durante as férias de Páscoa e, ao tentar retornar na última quinta-feira, dia 2, a partir de Milão, foi informado de que não poderia embarcar para Londres.
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David havia passado quatro dias em Veneza, em uma excursão de rúgbi, ao lado da mãe, Christina, do padrasto e do meio-irmão. A família esperava repetir o trajeto sem dificuldades, como na ida, mas foi surpreendida no aeroporto com a informação de que o controle de fronteira britânico não tinha registro de residência do menino no país.
Apesar de ter nascido em Cardiff e viver toda a vida no País de Gales, David possui passaporte romeno. Os pais são cidadãos da Romênia e se mudaram para o Reino Unido um ano antes de seu nascimento. O pai tem status de residência permanente, enquanto a mãe possui autorização temporária.
"Eu não sabia que precisava solicitar um status próprio para ele. Como nasceu depois de anos vivendo no país, achei que teria direito automático à cidadania britânica", disse Christina ao Wales Online.
"Pensei que ele teria dupla cidadania e não precisaria de outro documento. Mas as regras mudaram depois do Brexit e eu não sabia."
Após ser impedida de embarcar com o filho, Christina permaneceu na Itália enquanto o marido e o enteado retornaram ao Reino Unido. Depois de dois dias, ela seguiu com David para a Romênia, onde estão hospedados na casa de familiares, à espera de uma solução.
A família segue separada e sem previsão de reencontro. Segundo a mãe, a situação tem causado forte impacto emocional no menino, que tem toda a rotina estruturada no Reino Unido, onde estuda, pratica esportes e recebe atendimento médico.
"Ele ouviu quando disseram que não poderia entrar e ficou perguntando o que ia acontecer. Achou que iam me deixar voltar e que ele ficaria sozinho", relatou.
No aeroporto, Christina tentou regularizar a situação solicitando uma autorização eletrônica de viagem, mas o pedido foi negado. As autoridades informaram que o documento é válido apenas para visitantes, não para residentes — e o endereço informado era justamente no Reino Unido.
Além da incerteza, a família já acumula prejuízo financeiro. Em menos de uma semana, Christina afirma ter gasto cerca de £2 mil (R$ 12 mil) com hospedagem, novas passagens e taxas.
"Tivemos que ficar no quarto mais barato possível, ainda assim custava mais de £157 por noite (R$ 950)", disse.
O caso chegou ao conhecimento da deputada britânica Alex Davies-Jones, que afirmou estar prestando apoio à família para tentar resolver a situação o mais rápido possível.
"É uma experiência extremamente angustiante para o menino e para a mãe. Estamos trabalhando para ajudá-los a voltar para casa com segurança", declarou.
A dificuldade enfrentada por David ocorre após mudanças implementadas pelo governo britânico em fevereiro, que passaram a exigir que cidadãos com dupla nacionalidade apresentem passaporte britânico ou um certificado digital que comprove o direito de residência. Antes, era possível entrar no país apenas com o passaporte estrangeiro.
Como esses certificados não são emitidos automaticamente, há casos de pessoas que vivem há anos no Reino Unido, mas nunca solicitaram o documento. O governo orienta que cidadãos nessa situação solicitem um passaporte britânico, que custa cerca de £100 (R$ 630), ou o certificado, que pode chegar a £589 (R$ 3,7 mil).
Em nota, o Ministério do Interior informou que a documentação necessária já foi concedida, abrindo caminho para o retorno de David ao Reino Unido.
