Nasa decide reparar vazamento no foguete Artemis II ainda na plataforma e adia missão à Lua para março

 

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A NASA decidiu realizar ainda na plataforma de lançamento o reparo do vazamento de combustível que interrompeu o ensaio geral do foguete Artemis II. Após o conserto, a agência pretende conduzir um novo teste completo de abastecimento antes de tentar, novamente, lançar a missão tripulada ao redor da Lua, agora prevista para março.

Artemis II: Nasa adia missão à Lua após detectar vazamento de combustível em foguete

— Ainda estamos avaliando os dados coletados e desenvolvendo o plano de reparo — afirmou Lori Glaze, gerente sênior do Escritório de Desenvolvimento de Sistemas de Exploração da agência. Segundo ela, a expectativa inicial é de que o trabalho possa ser feito sem a necessidade de retirar o foguete da plataforma.

O vazamento foi identificado durante o ensaio geral de abastecimento, quando sensores detectaram altas concentrações de hidrogênio em uma cavidade entre duas placas umbilicais, no ponto em que uma linha de 20 centímetros de diâmetro conecta o sistema de combustível à base do foguete. A anomalia forçou a interrupção da contagem regressiva.

Apesar de a equipe ter conseguido reduzir temporariamente o vazamento — ajustando fluxo e temperatura — e completar o carregamento do Sistema de Lançamento Espacial (SLS) com quase 800 mil galões de oxigênio líquido e hidrogênio supergelados, o problema voltou a se agravar nos minutos finais do teste. No momento em que o tanque do primeiro estágio começou a ser pressurizado, como ocorreria em um lançamento real, um sistema automatizado abortou a contagem regressiva.

— Foi o foguete conversando conosco — resumiu John Honeycutt, presidente da Equipe de Gerenciamento de Missão. — O teste entregou exatamente o que precisávamos antes de colocarmos uma tripulação a bordo.

Com o cancelamento do lançamento em fevereiro, o administrador da NASA anunciou que a próxima janela disponível ocorrerá entre 6 e 11 de março. Os quatro astronautas da missão — Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e o canadense Jeremy Hansen — encerraram a quarentena médica pré-voo e retomaram os treinamentos.

Este será apenas o segundo voo do SLS, considerado o foguete operacional mais potente do mundo. No voo inaugural, em 2022, uma missão não tripulada enfrentou sucessivos atrasos após uma série de vazamentos semelhantes, exigindo múltiplos testes de abastecimento e retornos ao edifício de montagem para reparos.

O hidrogênio líquido, usado como propelente, é um dos maiores desafios do programa. Extremamente frio (–253 °C) e altamente inflamável, o combustível tende a escapar por frestas microscópicas em válvulas e conexões. Por isso, falhas desse tipo só podem ser plenamente avaliadas durante operações reais de abastecimento na plataforma — procedimentos complexos e de alto risco.