Nasa alerta que a Terra está indefesa diante de milhares de asteroides 'assassinos de cidades' não detectados
A Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (Nasa) emitiu um alerta contundente: a Terra não dispõe de defesas ativas contra cerca de 15 mil asteroides de porte médio, capazes de destruir cidades, que permanecem sem identificação. A revelação gerou temor em várias partes do mundo, embora já estejam em andamento programas de monitoramento, como a missão Near-Earth Object Surveyor.
Qual é o ano em que o planeta deixaria de existir? A resposta de Stephen Hawking
Poluição global: Especialistas detectam microplásticos em intestíno do único inseto nativo da Antártida
A advertência foi feita pela Dra. Kelly Fast, oficial interina de Defesa Planetária da Nasa, durante a conferência anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência, em Phoenix. Segundo ela, esses meteoros, com ao menos 140 metros de diâmetro, representam um risco elevado.
— O que tira meu sono são os asteroides que não conhecemos — declarou. Dos 25 mil objetos estimados que orbitam o planeta, a Nasa conseguiu localizar apenas 40%, o que deixa aproximadamente 15 mil sem rastreamento.
A situação se agrava pela falta de uma resposta imediata. A Dra. Nancy Chabot, líder da missão DART (Double Asteroid Redirection Test) na Johns Hopkins University, manifestou profunda preocupação. Embora em 2022 a missão tenha demonstrado ser possível alterar a trajetória de um asteroide ao colidir uma nave espacial com ele, a especialista alertou:
— O DART foi uma grande demonstração, mas não temos isso pronto para uso caso surja uma ameaça que exija essa resposta.
Isso significa que, se um asteroide perigoso fosse detectado em rota de colisão, não haveria um mecanismo ativo para desviá-lo.
— Poderíamos estar preparados para essa ameaça. E não vejo que esse investimento esteja sendo feito — lamentou Chabot, sugerindo que as agências espaciais carecem de financiamento adequado para manter defesas.
Os asteroides de porte médio representam um desafio particular por serem difíceis de detectar, enquanto os muito grandes — como o que causou a extinção dos dinossauros há 66 milhões de anos — são mais fáceis de rastrear.
— Não nos preocupamos tanto com os grandes dos filmes, porque sabemos onde eles estão — afirmou a Dra. Fast ao The Telegraph. Fragmentos pequenos atingem a Terra sem causar danos significativos, mas a categoria em torno de 140 metros é a mais preocupante: grande o suficiente para provocar danos regionais catastróficos e pequena o bastante para escapar aos métodos atuais de detecção.
Galerias Relacionadas
A vulnerabilidade ficou evidente com o asteroide YR4 no ano passado, quando houve um “alerta máximo” por probabilidade de colisão, antes de análises descartarem uma ameaça direta à Terra. Ainda assim, embora um impacto em 2032 tenha sido descartado, existe a possibilidade de colisão com a Lua, um evento que poderia ser visível a olho nu. Esse “quase impacto” serviu como um alerta crucial e pode marcar um ponto de inflexão para mudanças estruturais no futuro.
Para enfrentar essa lacuna, a Nasa pretende lançar no próximo ano a missão Near-Earth Object Surveyor. O telescópio espacial utilizará assinaturas térmicas para identificar asteroides claros e escuros — estes últimos mais difíceis de detectar por métodos convencionais. A agência busca catalogar mais de 90% dos objetos próximos à Terra com mais de 140 metros na próxima década.
— Estamos vasculhando os céus para encontrar asteroides antes que eles nos encontrem, e capturá-los antes que nos capturem — concluiu Fast em entrevista ao portal GB News.
