Com o fim do pagamento em dinheiro nos ônibus do Rio, que passa a valer oficialmente a partir de 28 de junho, a prefeitura transformou bancas de jornais em pontos de compras do cartão verde do Jaé (comprado avulso, sem vínculo ao CPF do passageiro). De acordo com o secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes, das 700 bancas espalhadas pela cidade, 374 já estão cadastradas e realizando a venda dos cartões. Para saber mais sobre a venda, O EXTRA percorreu algumas bancas de jornal do Centro e da Tijuca (Zona Norte) e conversou com alguns jornaleiros.
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— O presidente do Sindicato (dos Vendedores de Jornais e Revistas do Estado do Rio de Janeiro) nos enviou um link, e por lá fiz o cadastro com todas as minhas informações — explica Otavia Chiappetta, responsável por uma das bancas de jornal no Centro, localizada na Avenida Erasmo Braga, próximo ao Tribunal de Justiça. — Foi bem rápido. Fiz o cadastro no domingo e já recebi os vinte cartões no dia seguinte. Em quatro dias, vendi dez cartões. Cada um custa R$ 10 e já vai com uma passagem de R$ 5.
Para Otavia, a procura pelos cartões está grande, pois a venda nas bancas deixa o cartão mais acessível aos passageiros.
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Mas, apesar de a prefeitura afirmar que apenas os cartões verdes estão sendo vendidos nas bancas de jornal, os passageiros ainda procuram pelo cartão preto. Na banca de Marcelo Santana, que fica no Centro, na Avenida Rio Branco, os passageiros pedem o cartão preto (vinculado ao CPF do passageiro) e também reclamam por não poder recarregar o cartão (verde) no local onde compram.
— A prefeitura não deixou uma máquina de recarga, e os passageiros reclamam disso — conta.
Para a transparência do processo da venda, assim que os jornaleiros recebem os cartões, eles precisam realizar o cadastramento da sequência numérica de cada cartão em um sistema do Jaé. E, semanalmente, é preciso fazer um relatório informando ao Jaé quantos e quais cartões foram vendidos.
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Entretanto, para Alvaro Candido, de 35 anos, responsável por uma banca na Tijuca, na Zona Norte do Rio, o trabalho de fazer o cadastramento de cada cartão e enviar o relatório demanda tempo. Segundo ele, fica ainda mais difícil ser feito quando os jornaleiros não receberam nenhuma orientação de como fazer algo que é obrigatório e que não dá lucro para a banca.
— Nós não recebemos nenhuma instrução ou orientação sobre algo que fomos obrigados a vender ou corremos o risco de perder a licença da banca — relata. — Estamos sendo obrigados a vender o cartão que nos dá uma comissão que eles querem, que é de R$ 0,10 em cima de cada cartão vendido, e ainda temos que fazer cadastramento e relatório semanal. Sem qualquer informação. Nada, nada, zero.
Alvaro Ferreira, de 43 anos, também jornaleiro na Tijuca, não tem a informação de que a venda seja obrigatória:
— Tem bastante procura pelo cartão, mas eu sempre aviso e peço um pouco de paciência aos passageiros. Acredito que os responsáveis (pela venda do cartão Jaé) ainda vão acertar tudo e nós vamos poder decidir se vamos ou não vender.
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Sobre o risco de perder a licença da banca, Alvaro não possui nenhuma informação:
— Até agora, não fui informado de ser obrigado a vender. Por enquanto, fomos informados de que quem quiser vender, vende, quem não quiser, não vende. O que é o justo.
Em resposta ao EXTRA, a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) informou que "em relação à obrigatoriedade da venda do cartão Jaé nas bancas, os jornaleiros são permissionários da Prefeitura e, dentro da reorganização do sistema municipal de transportes, foi determinada a disponibilização do serviço de comercialização do cartão nas bancas de jornal da cidade. E que o processo de implantação está sendo realizado de forma gradual, inclusive para ajustes operacionais junto à categoria".
Sobre a comunicação com os jornaleiros, a secretaria informou que foram realizadas reuniões prévias entre a Prefeitura, a operação do Jaé e o Sindicato dos Vendedores de Jornais e Revistas do Estado do Rio de Janeiro (Sinjor). E que o sindicato ficou responsável por repassar as orientações e informações aos profissionais do setor.
*Estagiária sob supervisão de Cláudia Meneses.
