Narcotráfico, corrupção e conexão com guerrilha: as acusações dos EUA contra El Príncipe, o filho de Maduro

 

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A denúncia contra o ex-ditador da Venezuela Nicolás Maduro apresentada pelo procurador americano Jay Clayton ao Tribunal do Distrito Sul de Nova York também acusa o filho do político, Nicolás Ernesto Maduro Guerra, apelidado de Nicolasito e de El Príncipe, de corrupção e ligação com o narcotráfico. O documento, no entanto, não apresenta provas das acusações contra Nicolasito.

O filho de Maduro tem 35 anos, é economista de formação e acaba de tomar posse como deputado da Assembleia Nacional da Venezuela no dia 5 de janeiro, representando o estado de La Guaira. É seu segundo mandato como parlamentar. As eleições para o Legislativo venezuelano foram realizadas em maio de 2025, praticamente sem a participação da oposição, que, em sua maioria, não reconheceu o pleito como legítimo, principalmente devido à fraude nas eleições presidenciais de 2024, que reconduziu Maduro ao poder.

Para o procurador americano Jay Clayton, Nicolasito é “um político corrupto” que “se associou a narcotraficantes e grupos narcoterroristas” para facilitar o transporte de cocaína produzida na Colômbia até os Estados Unidos.

O esquema funcionaria da seguinte maneira: os grupos guerrilheiros colombianos Farc e ELN controlariam a produção de droga em regiões montanhosas da Colômbia. Já o cartel de Sinaloa e o grupo Los Zetas, no México, seriam responsáveis por rotas de transporte ilegal de drogas pela América Central e por atravessar a droga para os Estados Unidos através da fronteira com o México. As autoridades venezuelanas, segundo a denúncia, conectavam as duas pontas, protegendo carregamentos de droga vindos da Colômbia enquanto estivessem na Venezuela, em associação com a facção Tren de Aragua.

O documento afirma que Nicolasito ascendeu após a chegada do pai ao poder, em 2013, e que foi nomeado chefe do corpo de inspetores especiais da Presidência, “cargo que foi criado” especialmente para ele por Nicolás Maduro.

Citando informações fornecidas por um capitão da Guarda Nacional da Venezuela cujo nome foi preservado, a denúncia do procurador americano diz que, entre 2014 e 2015, quando já ocupava o cargo na Presidência, Nicolás Maduro Guerra visitou a ilha de Margarita duas vezes por mês, sempre chegando em um avião Falcon 900 pertencente à petroleira estatal PDVSA. O avião, então, era “carregado, às vezes com a ajuda de sargentos armados, com largos pacotes embalados com fita adesiva que o capitão entendeu serem drogas”.

Ao menos em uma dessas ocasiões, o próprio Nicolasito teria presenciado o carregamento da aeronave e teria afirmado que “o avião poderia ir aonde quisesse, inclusive os Estados Unidos”.

Ainda segundo o documento, Nicolasito “trabalhou para enviar centenas de quilos de cocaína da Venezuela para Miami” em 2017.

Sem citar as provas da acusação, a denúncia diz que o filho de Maduro “falou com seus sócios no tráfico de drogas sobre (...) enviar cocaína de baixa qualidade para Nova York porque esta não poderia ser vendida em Miami, tendo arranjado um carregamento de 500 quilos de cocaína” para ser encaminhado via contêineres de Miami para portos de Nova York.

Em outra ocasião, em 2020, Nicolasito teria ido a uma reunião com representantes das Farc em Medellín, na Colômbia, na qual “discutiram preparativos para movimentar grandes quantidades de drogas e armas aos Estados Unidos por meio da Colômbia pelos próximos seis anos, até por volta de 2026". Maduro Guerra também teria discutido o pagamento das Farc pelos carregamentos de cocaína com armas, segundo a denúncia, que tampouco apresenta evidências que corroborem essa acusação.