Em sua primeira declaração pública, Christa Pike, que não morreu na injeção letal, descreve abalo emocional; governador suspendeu execuções A americana Christa Pike, 50, que sobreviveu a uma tentativa de execução por injeção letal em 30 de setembro, no Tennessee, atribuiu o fracasso do procedimento à incompetência dos responsáveis e disse sentir dor sem interrupção.
Em nota divulgada por seus advogados nesta sexta-feira, 30, um mês depois, ela também relatou dificuldade para falar e danos emocionais. É a primeira manifestação pública de Pike desde a noite da execução: “Estou profundamente magoada pela incompetência que colocou tantas pessoas nessa situação terrível”, declarou.
Segundo ela, a dor é constante: “Não houve um único momento desde aquela noite em que eu não estivesse sentindo dor. Meu corpo dói.
Meus braços doem. Minhas mãos doem.
Minha garganta dói”, afirmou. Pike disse que não planejava viver depois da data marcada e que havia aceitado a morte.
Dias após o procedimento, acordou num hospital sem entender o que ocorrera. A execução começou por volta das 19h30, no horário local.
Cerca de cinco minutos depois, Pike levantou a cabeça e disse que o braço “parece que vai explodir”. Durante boa parte do tempo, foi ouvida arfando, chorando e gemendo.
Em determinado momento, pareceu perder a consciência, mas continuou a respirar de modo audível até que os jornalistas deixassem a sala de observação, às 20h53. Uma ambulância chegou à prisão às 21h14.
Pike foi levada ao hospital em estado crítico, depois de receber duas doses de pentobarbital, medicamento em geral letal. O Death Penalty Information Center, organização que reúne dados sobre a pena capital nos EUA, afirma que Pike é a primeira condenada a sobreviver a doses letais usadas em execuções.
Ela seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos. As circunstâncias da falha são investigadas.
Os advogados de Pike afirmam que ela teve queimaduras e bolhas nos braços. Especialistas avaliam se houve problema na linha intravenosa, o que teria impedido o medicamento de chegar de forma adequada à corrente sanguínea.
O governador Bill Lee suspendeu as execuções no estado até a conclusão de uma investigação independente. A defesa pede que a pena de Pike seja convertida em prisão perpétua.
Condenada aos 18 anos pelo assassinato da colega de classe Colleen Slemmer, em 1995, Pike tornou-se uma das mulheres mais jovens dos EUA no corredor da morte. Opositores da pena capital afirmam que o caso expôs a brutalidade das execuções e a dificuldade de realizá-las por injeção letal sem violar a proibição constitucional de punições cruéis e incomuns.
Sobre o futuro, a detenta disse: “Não sei por que sobrevivi naquela noite. Não sei o que acontece a seguir.
Alguns dias é mais difícil encontrar esperança do que em outros. Por enquanto, estou tentando me recuperar, um dia de cada vez”.
O Antogonista