'Não sei o que vou fazer com a minha vida', diz viúvo de mulher morta em desabamento no Maracanã; filha de 7 anos está internada
Parentes de Michele Martins, de 40 anos, morta num desabamento na Avenida Presidente Castelo Branco 298, no Maracanã, Zona Norte do Rio, ocorrido na madrugada desta segunda-feira, estão desolados com a tragédia. Filha de Michele, Ágata Valentina, de 7 anos, foi retirada viva dos escombros por equipes do Corpo de Bombeiros e seguiu para o Hospital municipal Souza Aguiar, no Centro. Outras oito pessoas foram retiradas do local — uma delas, uma adolescente de 14 anos, foi levada para o Hospital municipal Salgado Filho, no Méier.
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Ágata Valentina ficou soterrada por cerca de seis horas até ser resgatada. Durante o trabalho de buscas, ela chegou a se comunicar com os bombeiros e chamava pela mãe. Abalado, o pai da menina e viúvo de Michele, Alessandro de Souza, falou sobre a perda da companheira.
Menina soterrada em desabamento no Maracanã chama pela mãe
— Eu perdi minha companheira aqui. Não sei o que vou fazer com a minha vida — disse.
Segundo parentes e amigos, a família morava na região havia bastante tempo e era conhecida pelos vizinhos. Um amigo relatou o clima de apreensão desde o início da ocorrência.
— Todo mundo em volta ficou assustado — afirmou, sem se identificar.
Ainda de acordo com esse amigo, o desabamento ocorreu no momento em que o pai havia acabado de sair da casa.
— Assim que o pai colocou o pé para fora da casa, houve o desabamento. A Valentina ficou horas embaixo dos escombros. A mãe não aguentou — disse.
De acordo com o tenente-coronel Fábio Contreiras, porta-voz do Corpo de Bombeiros, a construção que ruiu era formada por duas casas geminadas, com quatro pavimentos. Mais de 50 militares e sete unidades operacionais atuaram no local, com apoio de 12 viaturas, incluindo especialistas do Grupo de Operações Especiais (Goesp) e alunos do Curso de Operações de Salvamento em Desastres (Cosd).
Por causa do desabamento, a Avenida Rei Pelé teve duas faixas interditadas no sentido Méier, na altura da Rua Oito de Dezembro. Segundo o Centro de Operações e Resiliência (COR), o trânsito foi desviado para a Rua Visconde de Niterói.
Casas interditadas
A Defesa Civil municipal informou que outros imóveis no entorno precisaram ser interditados. Em entrevista no local, o subsecretário municipal de Defesa Civil, Rodrigo Gonçalves, explicou que quatro casas foram interditadas preventivamente por causa do risco provocado pela queda dos escombros.
— A Defesa Civil está desde o primeiro momento aqui, acompanhando o trabalho do Corpo de Bombeiros e das demais equipes da prefeitura. Pelas avaliações preliminares, vamos precisar interditar quatro imóveis no entorno, justamente por conta da queda dos escombros sobre essas edificações — afirmou.
Segundo ele, as famílias estão sendo assistidas pela Secretaria municipal de Assistência Social.
Questionado sobre relatos de moradores que afirmam que a área já apresentava risco há anos, Gonçalves disse que a vistoria identificou problemas estruturais comuns na região.
— Constatamos muitos prédios sem embasamento técnico, sem engenheiro ou arquiteto responsável, além da falta de manutenção, o que agrava muito essas condições. Não temos histórico de vistoria específica nesse imóvel — explicou.
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