Existe um lugar escondido logo além dos limites da cidade. Ele não aparece em nenhum mapa e a lenda é clara: quem entra lá, raramente volta.
É para esse ambiente místico e perigoso que O Bosque Selvagem, o novo e ambicioso projeto do estúdio LAIKA, transportará o público nos cinemas. Conhecida por clássicos do stop-motion como Coraline e o Mundo Secreto, a produtora decidiu elevar a barra técnica do formato.
Para isso, recrutou uma lenda do cinema live-action: o diretor de fotografia Caleb Deschanel, indicado a seis prêmios do Oscar. A missão? Esquecer os padrões tradicionais do meio e tratar bonecos em miniatura exatamente como se fossem atores de carne e osso.
O impacto dessa escolha foi imediato dentro dos sets de filmagem. Travis Knight, diretor do longa, não economizou elogios ao impacto de Deschanel na equipe:
“O Caleb é uma lenda. Ele trouxe uma vida inteira de experiência para Wildwood, mas também carregou a curiosidade de alguém procurando um jeito novo de fazer uma imagem.
Ele chegava com ideias ousadas, selvagens, algumas delas impossíveis. Mas, no processo, empurrou nossa equipe de câmera e de luz para além da gramática familiar do meio [...].
O resultado é algo completamente novo. Wildwood não se parece com nenhum filme em stop-motion já feito.”
Para quem vem do cinema tradicional, o processo de criação de uma animação quadro a quadro impõe desafios psicológicos e logísticos quase inacreditáveis. O próprio Deschanel relembrou o choque ao encarar a escala da produção:
“Na maioria dos grandes filmes de aventura em live-action, você faz uma cena por vez. Você sabe de onde veio, para onde vai em seguida e em que estado emocional os personagens estão.
Mas aqui você está trabalhando em cem partes diferentes do filme ao mesmo tempo.” Com mais de 70 palcos operando simultaneamente — filmando o início e o clímax no mesmo dia —, a fotografia exigiu uma "bíblia visual" rigorosa.
O estúdio misturou referências que vão desde as paisagens grandiosas da pintura clássica até o suspense de Alfred Hitchcock em Os Pássaros. “Precisávamos avaliar o quanto as coisas ficariam fora de foco ao fundo, em função da profundidade de campo”, explica Deschanel.
“Você quer dar a esses personagens a mesma sensação de realidade que daria a atores humanos.” Além dos desafios técnicos de iluminação e lentes, a imersão na animação mudou a própria forma do veterano enxergar a arte de interpretar nas telas.
Para Deschanel, a verdadeira magia do stop-motion está no trabalho minucioso dos animadores: “Ver os animadores dando vida aos bonecos foi maravilhoso porque, de muitas formas, os animadores são os atores.
Você pode pensar: ‘o boneco só precisa atravessar a sala’. Mas não.
O personagem precisa atravessar a sala com a atitude de uma adolescente ou de um coiote ameaçador. Está nas expressões faciais, na virada de cabeça, no dar de ombros.
É ali que a atuação vive.” A jornada começa quando o irmão da jovem Prue é sequestrado e levado para uma floresta proibida.
Na tentativa de resgatá-lo, Prue e seu amigo Curtis se aventuram entre as árvores, sem saber que estão prestes a mudar a história daquele local e ser o centro de uma batalha. Prometendo revolucionar o gênero ao unir a escala épica do live-action com a delicadeza artesanal da animação, O Bosque Selvagem estreia nos cinemas em 29 de outubro.
BR IGN