Depois de cerca de 11 anos trabalhando como enfermeira — período em que chegou a chefiar uma UTI — Aline Limas, de 31 anos, guarda na memória alguns atendimentos que começaram de uma maneira e terminaram revelando outra história. Entre os casos que mais chamaram sua atenção estão aqueles em que objetos ficaram presos em partes íntimas do corpo. Muitas vezes, o que havia acontecido só aparecia depois dos exames ou quando o paciente finalmente conseguia falar sobre a situação. Confira: Ex-chefe de UTI revela dúvidas inusitadas sobre sexo que recebe na internet Confira: Enfermeira que deixou a UTI pelo conteúdo adulto reencontra ex-paciente de Covid entre seus assinantes Um desses atendimentos envolveu um homem de aproximadamente 31 anos que chegou ao hospital com dores abdominais. Ele descreveu os sintomas, mas não mencionou o que havia acontecido. A radiografia mostrou um frasco de desodorante preso no reto.
"Ele respondia às perguntas sobre a dor, mas deixava o principal de fora. Quando mostramos o exame, contou que tinha tentado retirar em casa e não conseguiu. Eu disse que ele não precisava ter vergonha de nós, precisava contar o que tinha acontecido", relata. Em outro plantão, uma mulher foi ao hospital acompanhada do marido depois que um acessório íntimo se rompeu durante o uso e parte dele ficou presa na vagina. O casal contou o que havia acontecido assim que chegou, mas uma preocupação inesperada chamou atenção de Aline. Enquanto a paciente explicava onde sentia dor, o marido comentou que o produto era novo e ainda estava na garantia. "Ela estava contando onde sentia dor quando ele comentou que o produto era novo e ainda estava na garantia. Foi uma observação tão fora de hora que ficou na minha memória. Eu voltei a conversar com ela, porque era ela quem precisava de atendimento naquele momento", conta. Outro episódio envolveu um homem que chegou com uma aliança presa no pênis. Depois de tentar retirá-la em casa diversas vezes, ele procurou ajuda quando o inchaço aumentou. Mesmo diante da situação, sua principal preocupação era preservar o objeto. "Ele queria sair dali com a aliança inteira. Precisei explicar que talvez fosse necessário cortá-la e que a prioridade era cuidar dele. O que mais me marcou nesses casos foi perceber como a vergonha fazia as pessoas adiarem a procura por ajuda. Dentro do hospital, ninguém precisava inventar uma desculpa para ser atendido", conclui.
O Globo