'Não podemos confundir Deus com o Estado', diz padre Cláudio Pighin em homilia

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Na homilia do 29º domingo do Tempo Comum, deste domingo (18/10), o padre Cláudio Pighin ressalta a importância de não confundir o poder do Estado com o poder de Deus. O Evangelho segundo Mateus 22:15-21 narra como os fariseus tentaram tramar algo para apanhar Jesus em alguma palavra que o comprometesse, ao questioná-lo se é lícito (permitido pela Lei) pagar imposto a César, o imperador romano.

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“A história se repete também nos nossos dias. Quantas vezes também nós, não querendo nos comprometer com a busca de Deus na nossa vida, pretendemos justificar isso através de palavras não bem-intencionadas”, disse Pighin. “É interessante notar como Jesus, perante esse questionamento dos interlocutores, põe em evidência a independência de Deus. Isto é muito importante porque nós, se pudéssemos, gostaríamos de manipulá-lo para os nossos fins, manipular Deus para os nossos fins”, acrescentou.

O padre ressalta a importância de “lembrar que Deus é sempre o nosso criador. E nós somos sempre as criaturas”, não devendo, dessa forma, inverter os papéis. “É este o grande pecado da criatura humana: pretender dominar o criador, e impor a ele os nossos raciocínios”.

Segundo ele, os questionantes a Jesus narrados eram maliciosos, hipócritas. “Era um diálogo motivado nem tanto em saber a verdade, mas para experimentá-lo como uma cabeça quente, que quer desestabilizar o poder religioso daquele tempo, e assim condená-lo”, explicou Cláudio Pighin.

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“Portanto, na questão sobre “dai, pois, a César, o que é de César e a Deus o que é de Deus”, Jesus quis dizer que não podemos confundir Deus com o poder do Estado. O Estado tem os seus direitos e normativas que os cidadãos se comprometem a seguir, conforme as suas consciências”, continuou.

Nesse sentido, a homilia reforça que o Estado não pode exigir e querer direitos que pertencem a Deus. “Isto é, não pode pensar que ele, o Estado, tem o poder total sobre a pessoa. A pessoa, segundo o famoso filósofo Boécio, é a substância individual de natureza racional. A pessoa humana nesse sentido mais geral, pode ser definida como o ser que vai além da matéria, mas que inclui a alma”, disse Cláudio Pighin.

Ou seja, se o Estado não for cristão, deve gerenciar os seus direitos, mas tem que respeitar a natureza dos cristãos. “O estado não pode encontrar a pessoa toda, com a sua consciência. Afirmar o poder de Deus significa manifestar a importância da liberdade da consciência do ser humano. Isto quer dizer, não opor o Estado a Deus, mas, pelo contrário, promover a pessoa”, acrescentou Pighin. "Se a moeda é a imagem que representa o poder do estado, as pessoas têm a imagem de Deus que ninguém pode ignorar, no respeito e na promoção da vida, da dignidade e da liberdade de todos os seres humanos", concluiu.

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