O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, afirmou que vai discutir com Lula (PT) nesta segunda, em Brasília, quais serão os próximos passos da campanha para o segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). Horas após a apuração das urnas e depois do pronunciamento do presidente, Edinho falou a jornalistas que a tática inicial será explorar o "perfil" de Flávio, e mencionou "as ligações que ele tem com a milícia e com o Banco Master".
Resultado: Flávio Bolsonaro e Lula vão para o segundo turno da eleição presidencial Indagado pelo GLOBO o que muda em termos práticos, e por que ele não teria conseguido fazer isso já no primeiro turno, ele afirmou que faltou "confronto de projetos" e que é isso que eles farão a partir de agora. — Nós não podemos acreditar que a sociedade brasileira queira ser governada por um representante das milícias do Rio de Janeiro. A gente não pode acreditar que o povo brasileiro tenha feito essa opção. O que falta é confronto de projetos e esse confronto de projetos nós vamos fazer — disse.
O presidente ainda não definiu qual será sua primeira agenda do segundo turno, o que será discutido na reunião com integrantes da campanha e aliados nesta segunda. Edinho também disse que vai procurar "todas as lideranças, com todas as lideranças que queiram construir um Brasil que não se entregue às milícias e que queira discutir futuro".
Ele também fez menção a uma possível abordagem de Lula sobre "reforma do Judiciário", indo ao encontro da pauta de colocar limites no Supremo Tribunal Federal (STF) que vem sendo dominada pela direita.
— O presidente Lula quer fazer mudanças. Mudanças no Poder Judiciário, porque esse Judiciário que está aí não nos serve. Mudanças no poder Legislativo, porque o modelo político brasileiro, como disse o presidente Lula, apodreceu — falou. — Vamos confrontar o projeto que é representado pelo Flávio Bolsonaro, as ligações que ele tem com a milícia, o legado que ele carrega do pai à frente do governo brasileiro, o legado da pandemia, foram 714 mil covas abertas, a criação do Banco Master. Tudo isso nós vamos confrontar com o projeto representado pelo presidente Lula, que é o maior projeto de inclusão social da história brasileira.
Em pronunciamento após a definição do resultado que consagrou Lula no segundo lugar da disputa presidencial, com 45,14% dos votos válidos contra 47,05% de Flávio, o petista disse que "estava convencido de que iria ganhar a eleição no primeiro turno", mas que "é bom de mata-mata".
Aliados afirmam que, entre a noite deste domingo e a segunda, haverá um trabalho de "avaliar os números", para verificar em que segmentos será possível tentar uma ampliação do eleitorado, quais serão os estados prioritários nessa busca por novos votos e também para possíveis alianças com outros candidatos.
O resultado, que deixou Lula com menos votos que Flávio, pegou petistas de surpresa, mas foi recebido com certa sensação de "alívio" porque "estava se desenhando um desastre", disse uma fonte, referindo-se ao fato de que, no início da apuração, o candidato do PL chegou a superar os 50% de votos, o que elegê-lo no primeiro turno. A abstenção, que neste ano superou os 21%, deve ser um dos enfoques do presidente nessa segunda fase da corrida eleitoral. Também ainda será definido o papel que candidatos aliados vão desempenhar a partir de agora, como Fernando Haddad (PT), Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), por exemplo, que disputavam o governo e o Senado por São Paulo, respectivamente, e foram derrotados.
O Globo