'Não há nada mais complexo do que operar um aeroporto': CBN SP apresenta edição especial em Congonhas

 

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Em comemoração aos 90 anos do Aeroporto de Congonhas, o CBN São Paulo desta sexta-feira (10) realizou uma edição especial diretamente do terminal, acompanhando de perto a movimentação de passageiros, a operação aérea e as transformações em curso no aeroporto.

Edição especial do CBN SP no Aeroporto de Congonhas

Thiago Barbosa/CBN

Em entrevista aos âncoras Marcella Lourenzetto e Guilherme Muniz, o diretor de Relações Institucionais, Comunicação e ESG da Aena Brasil, Filipe Reis, comentou a falha técnica que interrompeu pousos e decolagens em São Paulo na manhã de quinta-feira (9) e detalhou as obras e melhorias em andamento no aeroporto.

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Segundo Filipe a pontualidade foi afetada, mas houve recuperação satisfatória em poucas horas.

"Foi um evento importante. A pontualidade sofreu muito no dia de ontem, mas acho que, dentro da má notícia, a boa notícia é que houve uma recuperação muito satisfatória durante a noite e, hoje, nós temos um impacto operacional bastante reduzido, frente ao tamanho do impacto de ontem. Então, é um sistema trabalhando na resiliência, procurando melhorar o tempo todo."

A origem do problema ainda está sob investigação. De acordo com o diretor-presidente da Anac, houve registro de fumaça nas proximidades da torre de controle. Mas Reis destaca que o incidente não teve relação com obras em andamento. A causa ainda não foi identificada.

"Foi dentro do terreno do aeroporto, porque foi adjacente à torre de controle, que fica dentro do terreno do aeroporto. Mas a gente ainda não sabe a origem da fumaça; continuamos investigando, e não tem nenhuma relação com as obras, porque, naquele espaço especificamente, no momento, não há nenhuma intervenção significativa acontecendo."

Obras e melhorias em Congonhas

Aviões da Gol no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo

Renato S. Cerqueira/Ato Press/Agência O Globo

Segundo o executivo, a concessionária tem investido para melhorar a experiência dos usuários sem comprometer a pontualidade. Em 2025, o terminal registrou cerca de 24,5 milhões de passageiros e quase 300 mil movimentos de aeronaves.

"É um grande desafio. Isso aqui, as pessoas talvez não façam uma relação tão direta, mas, em operações de infraestrutura, não há nada mais complexo no mundo do que operar um aeroporto."

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As obras em andamento também preveem mudanças estruturais mais amplas. A área de embarque foi ampliada e há expectativa de entrega de um novo terminal até 2028.

"Nosso objetivo, claramente, é entregar o terminal novo em 2028. Nós já gastamos, voluntariamente, 200 milhões, que não eram necessários, não eram requeridos pelo contrato de concessão, mas o nosso compromisso com o passageiro é justamente esse: oferecer mais conforto, mais alternativas. E, nesse sentido, decidimos fazer voluntariamente esses investimentos."

Atualmente, cerca de 55% dos passageiros embarcam por pontes de embarque (finger), enquanto 45% utilizam posições remotas, com deslocamento até a aeronave por ônibus. O novo projeto inclui aumento no número de pontes de embarque, passando de 12 para 19, o que deve reduzir a necessidade de embarques remotos. Ainda assim, o embarque remoto não deve ser totalmente eliminado, prática comum em aeroportos no Brasil e no exterior.

Falta de tomadas

Outro ponto recorrente entre passageiros — a falta de tomadas — também está no radar da concessionária. Segundo Reis, o novo terminal contará com maior oferta de pontos de energia.

Retomada de voos internacionais

A expansão também abre caminho para a retomada de voos internacionais. Congonhas já recebeu autorização técnica do governo federal para esse tipo de operação, mas a previsão é que voos diretos ao exterior não comecem antes de 2028.

"Nós obtivemos essa primeira licença do governo federal. Mas, agora, há uma série de outras ações que nós temos tomado. Então, nós temos, agora, que falar com os órgãos anuentes, que são os órgãos que controlam a operação do aeroporto. Portanto, nós temos que passar por esse processo. E nosso objetivo, sim, é ter voos internacionais. Mas isso não vai acontecer antes de 2028, com a operação internacional saindo diretamente daqui de Congonhas."