Não foi só o Carlos Vinícius: Nelsinho Baptista, ex-São Paulo, perdeu quatro pênaltis em sequência em 1975; relembre

 

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Noite para esquecer — foi assim que o centroavante do Grêmio, Carlos Vinícius, definiu a partida desta quarta-feira (29) contra o Palestino pela Copa Sul-Americana. No empate sem gols, no Chile, o jogador teve a oportunidade de abrir o placar para a equipe gaúcha numa cobrança de pênalti onde o árbitro da partida apontou duas irregularidades do goleiro, dando três chances ao atacante, que errou em todas. Em 1975, o ex-lateral direito e ex-treinador do São Paulo Nelsinho Baptista viveu situação semelhante: em uma disputa de pênaltis contra o Corinthias, errou 4 cobranças seguidas depois de 3 irregularidades na conduta do goleiro apontadas pelo árbitro.

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O jogo dos quatro pênaltis perdidos era válido pela primeira Copa São Paulo Internacional. A competição reunia quatro equipes para celebrar o aniversário da cidade: São Paulo, Corinthians, San Lorenzo, da Argentina, e Peñarol, do Uruguai. Cada equipe jogou apenas duas partidas, sendo uma semifinal e as disputas pelo título ou terceiro lugar. Segundo o acervo estatístico "Rec.Sport.Soccer", todos os jogos foram no estádio do Morumbi.

Na primeira rodada, o São Paulo venceu o Peñarol por 2 a 0 e o Corinthians venceu o San Lorenzo por 1 a 0. Com as vitórias, os times paulistas foram à final, enquanto as equipes sul-americanas disputaram o terceiro lugar; conquistado pelo Peñarol.

O jogo decisivo entre São Paulo e Corinthians terminou empatado por 2 a 2 no tempo regulamentar. Dessa forma, o título seria entregue ao vencedor da tradicional disputa de pênaltis ao fim da partida.

A disputa, no entanto, não era mais uma cobrança de pênaltis qualquer. O contexto da época elevou a tensão do momento e colocou uma certa pressão sobre um dos batedores: justamente, Nelsinho Baptista.

O ex-jogador e ex-técnico do São Paulo contou no programa Visão de Jogo, no YouTube, que poucos meses antes da fatídica disputa de pênaltis contra o Corinthians, o São Paulo disputava a final da Copa Libertadores da América, em 1974, contra o Independiente, da Argentina.

Na época, a final podia ter até três partidas, caso os dois times vencessem, cada um, os primeiros dois confrontos. Naquele ano, foi exatamente isso que aconteceu: o São Paulo venceu a primeira partida por 2 a 1 e perdeu a segunda por 2 a 0, o que levou a um terceiro jogo de desempate.

Nelsinho lembra que, como o elenco sabia da possibilidade de pênaltis na última partida, todos treinaram esse tipo de cobrança, para que estivessem preparados. O ex-jogador disse que foi um dos três melhores batedores nos treinos antes do jogo decisivo, mas mesmo assim o técnico do São Paulo, José Poy, decidiu deixá-lo fora da partida inicialmente.

No meio do jogo, no entanto, o treinador mudou de ideia e colocou Nelsinho em campo. Como um chamado do destino, após a entrada do jogador, é marcado um pênalti para o São Paulo. O lateral, em repúdio à decisão inicial do técnico, decide não cobrar o pênalti, desperdiçado pelo companheiro José Carlos Serrão. Na ocasião, o São Paulo foi derrotado mais uma vez, agora por 1 a 0, justamente com um gol de pênalti da equipe argentina, e ficou com o vice da Libertadores em outubro de 1974.

Agora, em fevereiro de 1975, durante a primeira Copa São Paulo Internacional, com a perda do título da Libertadores ainda fresca, Nelsinho recebeu outra oportunidade para demonstrar o talento nas penalidades.

Na terceira cobrança de pênalti, com a disputa empatada por 2 a 2, Nelsinho vai para marca da cal contra o goleiro Sérgio Valentim, que tinha deixado o São Paulo há poucos dias, e entrava em campo pela primeira vez pelo Corinthians.

No programa Visão de Jogo, Nelsinho explicou que queria surpreender Sérgio, porque o goleiro sabia da forma como o lateral batia pênaltis: sempre rasteiros. Por isso, ele tentou cobrar de forma diferente, batendo no alto.

Acontece que a estratégia não deu muito certo nem uma, nem duas e nem três: não deu certo quatro vezes. Isso porque o goleiro Sérgio foi advertido três vezes pelo árbitro da partida pelo posicionamento irregular durante a cobrança, mas mesmo com quatro chances, Nelsinho não conseguiu converter a penalidade.

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O torneio terminou com título para o Corinthians, que converteu mais dois pênaltis e viu o São Paulo errar outra cobrança, terminando tudo em 4 a 3 nas penalidades. O torneio internacional comemorativo viria a acontecer em apenas mais uma oportunidade, em 1977, com participação do Palmeiras, Santos, Corinthians e Atlético de Madrid, da Espanha, segundo o acervo estatístico "Rec.Sport.Soccer". Na ocasião, o grande vencedor foi o clube madrilenho, que venceu o Santos nos pênaltis depois de um empate em 1 a 1 no tempo regulamentar.

Os melhores momentos da partida e as cobranças de pênaltis, de 1975, estão disponíveis no YouTube.