‘Nao falo por mim, eu falo por uma nação que é a Portela’, diz Bianca Monteiro, rainha de bateria da agremiação antes de entrar na avenida

 

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A concentração da Portela é sempre um território de memória. Escola centenária, símbolo de tradição e inovação no samba, a azul e branco de Madureira entra este ano reafirmando suas raízes — e é exatamente isso que sua rainha de bateria, Bianca, traduz no corpo e na fala. Cria da comunidade e há mais de dez anos à frente dos ritmistas, ela não separa fantasia de fundamento.

O enredo da Portela neste Carnaval mergulha na ancestralidade, na força africana e no respeito aos que vieram antes. E Bianca veste essa narrativa.

— Eu venho trazendo essa força da ancestralidade, da fé, da mulher, do amor que eles têm com os ancestrais — disse Bianca.

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Ela conecta o discurso do desfile à própria história da escola. Na Portela, segundo ela, reverenciar seus nomes é prática viva. Figuras como Paulo da Portela ajudaram a transformar o carnaval carioca e pavimentaram o caminho para que hoje a escola desfile com o status que tem.

— Se a gente está pisando nesse carnavall hoje é por conta de Paulo da Portela, que renovou tanta coisa.

A fantasia luxuosa — estimada por ela entre R$ 15 mil e R$ 20 mil, principalmente pelas pedrarias espelhadas e volume de penas brancas — representa esse elo entre passado e presente. Mas, para Bianca, o valor maior é simbólico.

— Maior do que ser rainha é ser amada por essa comunidade — disse a rainha da agremiação.

Em um momento em que o posto de rainha muitas vezes se associa apenas à estética, ela reforça que sua função vai além do brilho.

— A rainha é o Exu da escola, é a mensageira. Eu não falo só por mim, eu não falo só pelo meu corpo, eu falo por uma nação que é a Portela.

E emoção não falta, mesmo depois de tantos carnavais. Sobre a coreografia preparada para este ano, ela mantém o suspense: além da dança já conhecida do público, há um “segredinho” guardado para o meio da Avenida.