Um relógio Richard Mille RM 037 usado por Virginia Fonseca chamou atenção pelo valor estimado em R$ 2,6 milhões e pela quantidade de diamantes que cobre a peça.
O modelo foi identificado como uma versão snow set, em que pedras de diferentes tamanhos são distribuídas por grande parte da superfície.
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O termo, que significa "neve" em inglês, faz referência ao efeito visual criado pela disposição dos diamantes.
Como são colocados muito próximos uns dos outros, deixam pouco metal aparente e dão à peça a aparência de estar coberta por uma camada contínua de pedras.
"Quando alguém no mercado fala que um relógio é snow, normalmente está se referindo àquela configuração amplamente cravejada, na qual os diamantes dominam praticamente toda a superfície visível da peça.
Não é simplesmente um relógio com alguns diamantes no bezel.
É uma versão construída para ter esse aspecto completamente coberto por pedras", explica Renan Bastos, especialista no mercado internacional de relógios de luxo.
Conheça o Richard Mille de R$ 2,6 milhões usado por Virginia Fonseca
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Nem todo relógio com diamantes é snow
A diferença está na forma como as pedras são distribuídas.
Um relógio pode ter diamantes apenas no bezel, nos marcadores de hora, no mostrador ou em determinadas partes da caixa e, ainda assim, não ser considerado snow.
No chamado snow setting, são usados diamantes redondos de diferentes diâmetros, colocados lado a lado para ocupar o máximo possível do espaço.
A variedade de tamanhos evita que a superfície pareça organizada em linhas ou em um desenho repetitivo.
"Todo snow é um relógio cravejado, mas nem todo relógio cravejado é snow.
Um relógio com bezel de diamantes continua sendo apenas uma configuração com bezel cravejado.
No snow, existe uma cobertura muito mais extensa e uma forma específica de combinar pedras de diferentes tamanhos", esclarece Renan.
Segundo a Richard Mille, os diamantes utilizados nessa técnica podem ter entre aproximadamente 0,5 e 1,6 milímetro de diâmetro.
As pedras são posicionadas próximas umas das outras e fixadas por pequenas garras feitas pelo próprio profissional responsável pela cravação.
O resultado pode parecer irregular à primeira vista, mas a disposição exige precisão.
Cada diamante precisa ser escolhido de acordo com o espaço disponível para reduzir ao máximo as áreas de metal expostas.
"A aparência irregular não significa que os diamantes foram colocados de qualquer maneira.
É exatamente o contrário.
O profissional precisa escolher qual tamanho de pedra se encaixa em cada espaço para conseguir uma cobertura uniforme, sem criar áreas vazias ou comprometer a harmonia do relógio", afirma o especialista.
O RM 037 pode ter diferentes versões
RM 037 é a referência do modelo, e não de uma única versão.
Existem exemplares com diferentes materiais, mostradores, cores e acabamentos.
Por isso, não é correto dizer que todo RM 037 tenha snow set.
No caso do relógio usado por Virginia, trata-se de uma versão em ouro branco com diamantes distribuídos nesse padrão.
Essa diferença é importante na hora de identificar e avaliar a peça, já que material, mostrador e acabamento podem alterar seu valor no mercado.
"Dois relógios podem ser RM 037 e, ainda assim, pertencer a categorias de preço completamente diferentes.
Uma versão sem diamantes, uma configuração apenas com bezel cravejado e um RM 037 snow não são comercialmente a mesma peça.
A referência principal pode ser semelhante, mas material, mostrador e configuração mudam completamente o valor e o público interessado", ressalta Renan.
Por que o relógio de Virginia Fonseca é chamado de 'snow'?
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A origem da cravação também pesa
Outro aspecto considerado no mercado é saber se os diamantes fazem parte da configuração original da fabricante.
Há relógios que recebem pedras posteriormente, em trabalhos realizados por empresas ou profissionais independentes, o chamado aftermarket.
Nesse caso, a aparência pode ser semelhante à de uma peça que já saiu de fábrica com aquela quantidade de diamantes, mas a origem da intervenção é um dos fatores considerados na avaliação do relógio.
"Em um relógio desse nível, não basta confirmar que existem diamantes.
É necessário verificar se aquela cravação corresponde à configuração original da Richard Mille, além de analisar referência, procedência, documentação, histórico e estado da peça.
Um relógio cravejado posteriormente não deve ser avaliado como se fosse um snow original de fábrica", pontua Renan.
Diamantes não explicam sozinhos o preço
Apesar de serem o elemento que mais chama atenção, as pedras representam apenas uma parte dos fatores considerados na avaliação de um RM 037.
O modelo é equipado com o calibre automático CRMA1, movimento esqueletizado que reúne indicação de data, seletor de funções e rotor de geometria variável.
A platina e as pontes são produzidas em titânio grau 5, características descritas pela própria Richard Mille na apresentação do relógio.
Na avaliação, também são considerados o material da caixa, o trabalho de cravação, a configuração do mostrador, a disponibilidade daquela versão no mercado e outros aspectos relacionados à peça.
"Não é apenas a soma do valor do ouro e dos diamantes.
Existe uma peça de alta relojoaria por trás.
O preço é formado pelo relógio, pelo movimento, pela configuração de fábrica, pela raridade, pela dificuldade de reposição e pela demanda que existe por aquela combinação específica", observa Renan.
Relógio de R$ 2,6 milhões usado por Virginia tem detalhe raro
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R$ 2,6 milhões é uma estimativa, não um preço fechado
A estimativa de cerca de R$ 2,6 milhões também não significa que um exemplar será necessariamente vendido por essa quantia.
No mercado secundário, é preciso diferenciar o preço anunciado, o valor atribuído em uma avaliação e a quantia efetivamente paga em uma negociação.
Estado de conservação, ano de fabricação, documentação, caixa original, histórico, localização e urgência da venda estão entre os fatores que podem influenciar o preço final.
Em peças mais raras, a facilidade de encontrar compradores também pode pesar na negociação.
"Um relógio pode estar anunciado por determinado valor, mas isso não significa que exista uma transação sendo concluída naquele preço.
Para chegar ao valor real de mercado, precisamos observar ofertas disponíveis, negócios recentes, liquidez e demanda.
Em relógios muito exclusivos, essa diferença pode ser considerável", avalia.
No caso do Richard Mille usado por Virginia, snow se refere à maneira como os diamantes são distribuídos pela superfície da peça.
A combinação de pedras de diferentes tamanhos permite alcançar o efeito característico, com pouco metal aparente.
"Para quem olha rapidamente, pode parecer apenas um Richard Mille com muitos diamantes.
Para quem conhece o mercado, é uma configuração diferente.
O snow tem uma faixa de valor que não pode ser comparada diretamente com a de um RM 037 convencional", conclui Renan.
Não é só um relógio cravejado: o detalhe da peça de mais de R$ 2 milhões de Virginia Fonseca
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