'Não é ponta': reposicionado por Jardim, Paquetá encontra liberdade para criar e tem uma das melhores atuações no Flamengo
Um dos aspectos mais elogiados nos primeiros dois jogos de Leonardo Jardim à frente do Flamengo é a utilização de Lucas Paquetá. Repatriado por valor recorde na última janela — cerca de R$ 260 milhões —, o meia não deslanchou imediatamente, mas teve uma de suas melhores atuações na última quarta-feira, na vitória por 2 a 0 sobre o Cruzeiro, pelo Brasileirão.
O jogador de 28 anos foi contratado a peso de ouro por conta da polivalência em campo, que lhe permite atuar desde um segundo volante até um falso nove. Com Filipe Luís, ele foi testado em diversas posições, entre elas a de ponta direita, o que não surtiu efeito. Até agora, Jardim deixou claro que vai mantê-lo por aquele lado, mas com mais liberdade para centralizar as jogadas.
Diante do Cruzeiro, Paquetá não participou diretamente de gol, mas chegou muito perto. Apesar de alguns erros de tomada de decisão e jogadas em que voltou bolas sem necessidade, foram pelo menos três grandes chances criadas na grande área para Arrascaeta — o uruguaio pecou em todas as finalizações. Mesmo assim, o camisa 20 começou a mostrar estar mais ambientado ao setor de criação.
— Acho que ele pode fazer três posições na equipe: segundo volante, meia mais ofensivo e meia pela direita. Tínhamos que preparar um cenário porque ele não é um ponta, ele é um meia. O cenário que preparamos era sempre de uma construção com o Erick (Pulgar) ou o zagueiro pela direita. O ponta esticava para fazer o corredor, que era o Royal, e ele (Paquetá) aparecia entrelinhas, que é o jogo dele. O Paquetá não é um ponta. Se for para jogar com um ponta, melhor jogar com o Plata ou o Carrascal. Por isso, tínhamos a preocupação de colocar os jogadores na sua melhor posição. Se for receber a bola em cima da linha e driblar, não vai funcionar. Mas se for uma estratégia mais coletiva, pode ajudar ali ou por dentro. Foi o melhor jogo, mas eu acredito numa evolução dele — analisou Jardim na coletiva.
Quando o Flamengo tinha a bola, utilizou-se bastante das passagens de Emerson Royal pelo corredor direita e as associações com Arrascaeta, muitas vezes se infiltrando na área para receber. No meio-espaço entre os dois, esteve Paquetá, mostrando estar confortável vendo o jogo de frente e distribuindo passes por cima e por baixo.
A mudança surtiu mais efeito no meio de semana, já que, na final do Carioca, vencida pelo rubro-negro contra o Fluminense, o meia entrou no segundo tempo, mas não teve muito tempo para fazer diferença. Na quinta, foi substituído como melhor em campo e com mais de 90% no aproveitamento dos passes. A única finalização foi uma bicicleta da entrada da área, que saiu ao lado.
A mudança de posição não necessariamente o fará perder responsabilidades defensivas. Quando Pedro e Arrascaeta estão em campo, são eles os mais preservados na recomposição. Paquetá contribuiu como pôde e cometeu cinco faltas na partida.
Em 11 jogos neste retorno, o jogador marcou três gols, um deles contra o Botafogo, que é o adversário do Flamengo neste sábado, às 20h30. Hoje, o clube anunciou que Paquetá sofreu uma fratura no quarto metacarpo da mão direita, mas utilizará uma imobilização e poderá estar em campo no Nilton Santos.
