Não é Pilates: o treino que é a sensação em Hollywood e faz seus músculos tremerem

 

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— Quando você se forma como instrutor, ensinam que seus alunos precisam sentir três coisas durante a aula: tremor, transpiração e tonificação —, conta Johanna Tomelic, coach certificada e proprietária do primeiro estúdio de Lagree no país. — Se você não gera isso, algo está fazendo errado —, afirma.

Tomelic, como outros milhares de adeptos do fitness, tem como leit motiv desafiar constantemente o próprio corpo. Foi no meio dessa busca que conheceu o Lagree, a atividade que faz sucesso na América do Norte e, há alguns anos, também na Europa.

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O Método Lagree, como é conhecido popularmente, utiliza movimentos lentos e controlados para trabalhar múltiplos grupos musculares até a exaustão. Seu criador, o franco-americano Sebastien Lagree, repete inúmeras vezes em entrevistas que “não é pilates”. A confusão ocorre porque, à primeira vista, os movimentos lentos e a maca sobre a qual se exercita são semelhantes à disciplina desenvolvida por Joseph Pilates.

No entanto, Santiago Kweitel, médico do esporte e diretor da Pós-graduação em Medicina Esportiva Pediátrica da Universidade Favaloro, explica que, além da diferença de tamanho e funcionalidade das macas, as distinções no treinamento estão no fato de que o pilates orienta os exercícios para o controle motor, o trabalho de estabilidade e o alinhamento do corpo. Já o Lagree é direcionado fundamentalmente ao trabalho de força e resistência muscular.

— Além disso, no pilates os exercícios são feitos com cargas baixas ou moderadas, e no método Lagree elas são sempre elevadas —, acrescenta.

Uma disciplina moderna

No início dos anos 2000, Sebastien Lagree trabalhava como personal trainer em uma academia de West Hollywood, nos Estados Unidos. Sua forma preferida de exercício era o fisiculturismo, mas seus alunos exigiam treinar no reformer de pilates. Com o tempo, essa dualidade despertou nele a inovação:

— Eles me diziam que não sentiam que estavam treinando ao fazer pilates, então decidi incorporar pesos de mão e movimentos compostos de academia, como flexões, agachamentos, passadas e pranchas sobre a maca— , contou Lagree ao LA Times.

A rápida tonificação e o aumento da resistência em seus alunos fizeram com que sua técnica se espalhasse por todo Hollywood: maquiadores, estilistas e estrelas de cinema apareceriam em seu estúdio para experimentar de perto o fenômeno Lagree.

Kim Kardashian, David Schwimmer e Michelle Obama são algumas das celebridades que declararam publicamente sua preferência pelo método criado pelo franco-americano.

— As máquinas de pilates não resistiam ao treinamento que eu aplicava —, conta. Isso o levou a projetar sua própria versão em grande escala de um reformer, o “megaformer”, uma maca que incorpora plataformas e barras para os pés em ambas as extremidades, permitindo que os alunos trabalhassem diferentes grupos musculares, como peito, tríceps e ombros.

O que o diferencia de outras disciplinas populares é que o Lagree nunca deixa de evoluir.

— Todas as semanas nos enviam da sede central, em Los Angeles, exercícios novos, modificações para melhorar a técnica e também nos convidam para capacitações—, conta Tomelic.

Tendo se dedicado a vida inteira ao esporte e ao treino, Tomelic não conseguia entender como uma disciplina nova exigia tanto fisicamente.

— Eu não conseguia terminar a primeira aula inteira, não dava conta —, reconhece.

Foi isso que fez a “lâmpada acender”, levando-a a se formar e trazer, em 2025, a franquia para a América do Sul, onde o método ainda não foi explorado como em outras partes do mundo.

Segundo ela, o domínio do corpo não é o único resultado ao longo das aulas: a mente também é desafiada.

— À medida que você avança na prática, adota um alto nível de concentração, precisão e resiliência, garante.

Esta última, explica, está relacionada à frustração enfrentada pelos alunos nos primeiros contatos com o método.

— Eles se sentem sobrecarregados e frustrados porque não conseguem terminar todos os exercícios, mesmo estando acostumados a treinar na academia duas ou três vezes por semana — exemplifica.

As primeiras aulas são difíceis, desafiadoras e provocam, mas “após um mês o avanço na força e na resistência se torna perceptível”, afirma a instrutora.

— É um treino de alta intensidade que exige esforço máximo em um curto período de tempo (as aulas costumam durar 40 minutos) —, acrescenta.

Kweitel explica que, além da força e da resistência, o Lagree pode ser benéfico para o controle da postura, o trabalho da região central do corpo e do core, essenciais na prevenção de lesões e na melhora do desempenho esportivo.

Pode ser praticado e adaptado para pessoas com qualquer nível de condicionamento físico, inclusive sedentários. Tomelic explica que a adaptação não ocorre com mudanças na rotina de exercícios, mas com a redução do tempo de execução.

— Vamos modificando o tempo em que a pessoa executa cada repetição de cada exercício. Assim, por exemplo, pessoas mais avançadas fazem uma passada em 30 segundos, e um iniciante, em 10.

O movimento deve ser sempre superlento. Por isso, ela reconhece, é comum o erro de pensar que os exercícios são feitos um após o outro, em ritmo automático.

— Em todo esse percurso que fazemos para executar o exercício, vamos ajustando tudo: abdômen, posição dos ombros, do pescoço, dos joelhos, — diz, e acrescenta: — Você acaba internalizando o movimento do corpo de uma forma quase perfeita.

Questionado sobre possíveis contraindicações da prática do método, Kweitel afirma que o Lagree é apropriado para pessoas que estão começando a treinar ou que não praticam nenhum esporte específico.

— Seus resultados são mais voltados para o fitness — enfatiza.

No caso de atletas, ele aponta que pode ser um método complementar, mas que definitivamente não substitui o treinamento de força nem de potência específico de cada modalidade esportiva.

Por fim, ele ressalta que a prática exige obrigatoriamente a supervisão de um instrutor/professor para seguir a técnica correta e realizar todos os movimentos sem risco de lesões.

— O ideal seria combiná-lo com alguma atividade aeróbica, como caminhar, correr, andar de bicicleta ou nadar, e assim potencializar os benefícios — conclui.