'Não é Mão Santa. É mão treinada': Oscar Schmidt teve rotina de 1 mil arremessos por dia durante carreira
A lenda do basquete, Oscar Schmidt, morreu nesta sexta-feira (17), aos 68 anos. O destaque mundial no esporte construiu sua carreira com base em uma rotina intensa de treinos e disciplina rigorosa, o que contribuíram para seu desempenho em quadra, se desdobrando em seu famoso apelido: “Mão Santa”.
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O apelido surgiu a partir da precisão impressionante nos arremessos, que encantava torcedores e adversários. Com o tempo, a expressão se tornou uma marca registrada do atleta. Durante 30 anos Oscar foi o maior pontuador de todos os tempos no basquete mundial. O trono foi conquistado em 1994, quando o ex-ala de 2,05m de altura atuava pelo Fórum Filatelic de Valladolid, na Espanha, chegou a marca de 46.725 pontos, e ultrapassou o lendário Kareem Abdul-Jabbar.
Oficialmente, Oscar anotou 49.737 pontos em 1.615 partidas na carreira (média de 30,7 pontos por jogo) nos dez clubes (Palmeiras, Sírio, América do Rio, Juvecaserta-ITA, Pavia-ITA, Forum Valladolid-ESP, Corinthians, Bandeirantes, Mackenzie e Flamengo) em que atuou durante os 28 anos de carreira. O recorde só foi ultrapassado em 2024, por Lebron James, considerado por muitos o maior jogador da história do basquete mundial.
Apesar da fama ligada ao talento natural, o próprio Oscar sempre fez questão de reforçar que seu desempenho era resultado de dedicação extrema.
— Mão Santa? Quanto mais eu treino, mais a minha mão é santa. E minha carreira foi assim, muito treino, muito jogo — afirmou o ex-jogador em uma entrevista para o "Fantástico", da TV Globo, destacando que a repetição constante foi determinante para o desenvolvimento de sua técnica.
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A rotina de treinamentos era marcada por volume elevado e persistência. Oscar se dedicava diariamente aos arremessos, acumulando horas de prática para aperfeiçoar sua precisão. Esse nível de comprometimento se tornou uma das principais características de sua carreira e um exemplo de disciplina no esporte.
— No basquete, é necessário treinar de oito a nove horas por dia, sem folgas, durante anos. Além dos dois treinos oficiais, eu ainda treinava mais mil arremessos todos os dias — contou em uma entrevista ao site LG lugar de gente, em 2018.
Ao longo dos anos, Oscar voltara a afirmar que seu destaqu era fruto do esforço contínuo, com muito trabalho na preparação para os jogos. Em declarações posteriores, adaptou o apelido, o corrigindo para “mão treinada”.
O início da carreira profissional foi aos 16 anos, com passagem por dez clubes. Entre seus vários feitos pela seleção brasileira, o principal é a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987, quando o Brasil venceu os Estados Unidos na final em Indianápolis.
Além de ser, atualmente, o segundo maior pontuador da história do basquete mundial, Oscar Smichdt também detém outros feitos marcantes na carreira, como o de ser o principal cestinha da história dos Jogos Olímpicos: 1.093 pontos. Tais números só foram possíveis graças aos seus prêmios de primeiro entre os marcadores de Seul 1988, Barcelona 1992 e Atlanta 1996. Ele também é o maior cestinha de uma só partidas em uma Olimpíada: 55 pontos contra a Espanha, em Seul.
