Alvo da operação da PF contra a infiltração do PCC no poder público e no sistema de transporte coletivo de São Paulo, o ex-vereador Milton Leite, do União Brasil, negou qualquer participação e afirmou que não conhece ninguém da facção criminosa.
'Nego veementemente todas as afirmações que se tornaram público. Vou colaborar com a Justiça em todos os aspectos. Não conheço quem quer que seja do PCC. Nunca tive relação de natureza qualquer com o PCC. A minha relação com o setor de transporte foi institucional, porque eu era o vice-prefeito da cidade de São Paulo.' Ele também afirmou que sua relação com o setor de transporte coletivo ocorreu exclusivamente de forma institucional, durante o período em que ocupou o cargo de vice-prefeito de São Paulo. Segundo Leite, o então prefeito Bruno Covas pediu que ele conduzisse as negociações relacionadas ao setor, inclusive durante movimentos de greve dos sindicatos. O ex-vereador disse ainda que sua relação com funcionários da São Paulo Transporte (SPTrans) também era institucional e negou qualquer vínculo além disso. 'A minha relação com o setor de transporte foi institucional, porque eu era o vice-prefeito da cidade de São Paulo, e nessa condição o então prefeito Bruno Covas pediu-me que conduzisse esse processo. Inclusive durante o movimento de greve dos sindicatos, eu que conduzia o encerramento dessa greve na condição de vice-prefeito. Esse foi o entendimento que nós tivemos, e o entendimento que eu tive, a relação que eu tive, inclusive com os funcionários da São Paulo Transporte, era relação institucional, não mais que isso. Obrigado a todas e a todos. Vou me apresentar, não vou me defender publicamente, porque depois não tenho nada a esconder.' A Operação Vectura Corrupta investiga a suposta infiltração do PCC no poder público e no sistema de transporte coletivo. A ação é realizada nesta quinta-feira (17) pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes, com apoio do Ministério Público de São Paulo. O ex-vereador ocupou uma cadeira na Câmara de Vereadores por 27 anos, entre 1997 e 2024. Ele também já presidiu o Legislativo municipal seis vezes. A primeira delas, durante a gestão de João Dória na Prefeitura. Em 2018, Leite foi reconduzido ao cargo, que ocupou novamente durante as gestões Bruno Covas e Ricardo Nunes, de quem também era aliado. Ao todo, o ex-vereador ocupou por seis anos a presidência da Câmara. Nesse período, a Casa aprovou, quase em modo “rolo compressor”, as demandas do prefeito Ricardo Nunes. Além disso, Leite é aliado de diversos agentes que ocuparam altos cargos nas gestões estadual e municipal. Um dos exemplos é Milton Persoli, considerado nome de confiança do ex-vereador, que presidiu recentemente, por exemplo, a Agência Reguladora de Transportes (Artesp). Há cerca de um ano, Persoli passou a presidir, nomeado por Ricardo Nunes, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Atuação nos bastidores da política Em 2024, Leite anunciou que deixaria de disputar eleições e que se desvincularia da vida pública. Apesar de disso, Leite continuou com atuação política nos bastidores. Em 2024, indicou o vereador Ricardo Teixeira como seu sucessor na presidência da Câmara, além de apadrinhados na prefeitura, incluindo a mãe e a filha de sua ex-namorada, que ganhou cargo na CET. Ex-secretário de Mobilidade da capital também é alvo das operações Outro político alvo das operações, e preso nesta quinta, foi Levi dos Santos Oliveira, ex-secretário de Mobilidade da capital, nomeado por Ricardo Nunes e ex-presidente da SPTrans na gestão de Covas. Ele ingressou na SPTrans em 1991, onde fez a sua carreira na área de planejamento e chegou a diretor de Planejamento de Transporte da empresa em janeiro de 2017. Levi assumiu a presidência da empresa com o objetivo de administrar o transporte público da capital paulista e aparar arestas com as empresas de ônibus da cidade. Em nota, a defesa de Levi diz que ele não tem antecedentes, que construiu ao longo de décadas uma trajetória de relevantes serviços públicos prestados à capital, e que é referência técnica em sua área. Já Milton Leite se manifestou dizendo que não está foragido porque está viajando, e que se apresentará às autoridades em 24 horas para provar sua inocência.
CBN