'Não cabe ao gestor saber onde foram comprados insumos', afirma Ruas sobre suspeitas durante gestão de secretaria estadual

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Em sabatina nesta terça-feira, o candidato ao Governo do Rio Douglas Ruas (PL) procurou se desvencilhar de suspeitas envolvendo a secretaria estadual de Cidades, pasta que chefiou por quase três anos durante o governo Castro. Ao ser questionado sobre o fato de uma pedreira da família do deputado federal Altineu Côrtes (PL), seu padrinho político, ter recebido pagamentos de uma empresa contratada para obras de pavimentação, Ruas enfatizou que "não cabe ao gestor saber onde foram comprados insumos". A entrevista é uma parceria dos jornais O Globo, Extra, Valor Econômico e CBN.

Em sabatina, Douglas Ruas (PL) busca se desvencilhar de Castro e Bacellar e associa Paes a envolvidos com crime; assista Douglas Ruas minimiza perda de apoio de prefeitos para Paes: ‘Não aceitei ser candidato contando com esse apoio’ — Todos os meus atos praticados no poder público respondo com tranquilidade. Tenho zero denúncias e processos. Cumpri rigorosamente a lei. Todos os contratados que tiveram algum desvio eu mesmo notifiquei e puni. Não cabe ao gestor saber onde foram comprados insumos — destacou. A pedreira em questão é a Santa Edwiges. Em maio deste ano, o GLOBO revelou que ela venceu, de fevereiro a agosto de 2025, o que é conhecido no setor como “agregados minerais” para três obras de pavimentação da construtora FP Vieira, em São Gonçalo, reduto de Altineu e Ruas. Agregados minerais são componentes como brita, pedra e areia, que são misturados a outras substâncias para fazer o asfalto. As obras contratadas pela secretaria previam o asfaltamento e drenagem em ruas dos bairros de Bom Retiro e Sacramento, e implementação de um corredor de ônibus entre os bairros Neves e Guaxindiba. Em levantamento, descobriu-se que o material vendido pela Santa Edwiges abasteceu pelo menos cinco etapas dessas obras, que tiveram custo de R$ 4,9 milhões em revestimento asfáltico. O candidato do PL também tentou rebater suspeitas apontadas em uma auditoria da Controladoria-Geral do Estado na sua antiga pasta, e disse que a apuração do próprio governo contém "inúmeras inverdades". A auditoria identificou possíveis irregularidades, conforme revelou o GLOBO, em um aditivo de 45% a um contrato para obras de asfalto apenas duas semanas depois da assinatura do vínculo. — Já informei ao governador em exercício (o desembargador Ricardo Couto) e vou levar a todas as consequências esse vazamento de informação. (...) Esse contrato foi auditado pelo Tribunal de Contas do Estado. Não há que se falar em irregularidades -- argumentou Ruas. Outro caso comentado foi revelado pelo GLOBO em junho de 2025, quando se descobriu que a secretaria estadual de Cidades destinava 95% de suas verbas de obras em municípios aliados a Ruas. De R$ 1,4 bilhão em contratos ativos, R$ 1,3 bilhão foram direcionados a sete cidades. A maior beneficiada foi São Gonçalo, reduto político de Ruas, com mais da metade do investimento. O prefeito de lá é o Capitão Nelson (PL), que, além de correlegionário, é pai do candidato. Outro município com um grande investimento foi a vizinha Itaboraí, chave na corrida eleitoral. — Não tenho correlação com esses fatos. Essa pergunta deve ser direcionada à pedreira. Não faço parte e nem sei quem são os socios sequer — comentou Ruas.

A secretaria de Cidades foi criada em 2023 pelo governador Cláudio Castro (PL) para abrir espaço no governo para o deputado federal Altinêu Cortes, presidente estadual do Partido Liberal. Ele indicou Ruas para a pasta e também tem base eleitoral em São Gonçalo e Itaboraí — municípios que mais receberam dinheiro. Distância de Cláudio Castro Na sabatina, Ruas também comentou o desmonte da composição de sua candidatura, apresentada em fevereiro. Nela, ele aparecia ao lado de Rogério Lisboa, que seria seu vice e, hoje, faz campanha a favor de Eduardo Paes (PSD), seu principal adversário. Na entrevista, o candidato afirmou que não aceitou o convite para o governo contando com apoio de prefeitos. — Quem me convidou para ser candidato foi o Flavio. Posteriormente, alguns partidos que tinham interesse em fazer parte da coligação se juntaram — afirmou Ruas. O candidato também disse que sua decisão de disputar o governo foi tomada em agosto, em conversa com Flávio Bolsonaro, e defendeu que o estado precisa de mudança. Segundo o candidato, a ausência de apoio de prefeitos não tem impedido sua comunicação com os eleitores. Ruas afirmou que as redes sociais permitem que o eleitor conheça sua trajetória e suas propostas para o estado.

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