Namorado de Isabelle Caracristi é indiciado por violência psicológica e fraude processual após investigação sobre morte da estudante

Namorado de Isabelle Caracristi é indiciado por violência psicológica e fraude processual após investigação sobre morte da estudante - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

O namorado da estudante Isabelle Caracristi, João Munhoz Neto, de 34 anos, foi indiciado por violência psicológica e fraude processual pela Polícia Civil do Ceará. A corporação concluiu a investigação sobre a morte da jovem, de 22 anos, registrada em 13 de setembro, em Fortaleza.

Segundo o inquérito, a morte foi resultado de uma precipitação voluntária. O procedimento, que reúne provas, depoimentos e 17 laudos periciais, foi remetido ao Poder Judiciário em 30 de setembro.

Munhoz chegou a ser preso preventivamente durante a investigação, após a Polícia Civil apontá-lo como suspeito de indução ao suicídio. O crime, no entanto, não consta entre os que motivaram seu indiciamento.

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Ao longo da investigação, o Grupo Especial de Investigação (GEI), formado por equipes da 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital, da 2ª Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), ouviu 29 pessoas. Entre elas estão familiares, amigos e colegas de trabalho do casal, além de moradores e funcionários do prédio onde Isabelle morreu.

Depoimentos colhidos durante a investigação apontaram que Munhoz tinha comportamento controlador e tentava manter Isabelle isolada, restringindo suas ações. A investigação também apontou que ele tentou localizar e retirar o celular da estudante de uma lixeira do prédio, com a ajuda do porteiro, e pediu que familiares da jovem não tivessem acesso ao condomínio na noite da morte.

As condutas embasaram o indiciamento por obstrução da Justiça. A Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) produziu 17 laudos, incluindo exames de necropsia, toxicológico, de local de crime, DNA, papiloscopia e análises de áudios, vídeos, câmeras e dispositivos tecnológicos.

Cerca de 700 vídeos de câmeras foram analisados. Ao todo, 22 peritos e auxiliares de peritos participaram do trabalho.

O GLOBO entrou em contato com a defesa de João Munhoz Neto, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.

Justiça revogou prisão preventiva O namorado da estudante foi preso preventivamente em 22 de setembro, em Fortaleza.

Segundo a Polícia Civil, a medida teve como objetivo garantir a instrução criminal e assegurar a aplicação da lei penal. Celulares e outros dispositivos eletrônicos também foram apreendidos e analisados durante a investigação.

No entanto, a Justiça do Ceará revogou, em 1º de outubro, a prisão preventiva de João Munhoz Neto. A liberação ocorreu após o Ministério Público do Ceará (MPCE) emitir parecer favorável à soltura.

De acordo com o Diário do Nordeste, a decisão da 5ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares. Entre elas estão a obrigação de manter distância dos familiares da vítima, o monitoramento eletrônico e a proibição de se ausentar da comarca.

Entenda o caso O caso ganhou repercussão após a mãe da jovem publicar um vídeo nas redes sociais na sexta-feira, em que relatou que ao perder contato com a filha, procurou João Munhoz, mas descobriu que estava bloqueada por ele.

Ao ir ao prédio em que o casal morava há poucas semanas, descobriu que Isabelle morreu no dia anterior e o corpo já estava no Instituto Médico Legal (IML). No dia da morte, Isabelle passou o dia na casa da mãe, a professora universitária recebeu a mensagem da filha, que reclamava de um torcicolo.

A estudante de direito morava no prédio havia algumas semanas com o namorado, João Munhoz Neto, um irmão e a mãe dele, Sara Regina Alexandre Munhoz, que é coordenadora de execução da saúde prisional da Secretaria de Administração Penitenciária. A sogra da jovem foi localizada pela Polícia Civil do Ceará no início da noite deste domingo, na praia do Cumbuco, em Caucaia, região metropolitana de Fortaleza.

Um mandado de busca e apreensão foi cumprido, e o celular dela e um tablet foram apreendidos e serão periciados. Imagens da câmera de segurança do prédio, obtidas pelo Jornal Diário do Nordeste, mostram Isabelle chegando ao prédio às 17h58 da tarde.

João desce para buscar a namorada na portaria, e eles sobem juntos no elevador. Às 18h33, João deixa o prédio com outra roupa.

Antes, no elevador, parece trocar de anel na mão direita. Às 19h12, antes da última mensagem enviada para a mãe, Isabelle entra no elevador a caminho do terraço do prédio, no 23° andar.

O apartamento do namorado ficava mais abaixo, no 15° andar. A última mensagem de Isabelle foi às 19h22.

Segundo a polícia, Isabelle morreu 88 minutos após subir para o terraço do edifício, às 20h40. As imagens também mostram João voltando ao prédio às 22h48, quando o carro da perícia forense já estava na garagem.

Segundo a Polícia Civil do Ceará, outras imagens das câmeras de segurança do prédio estão sendo analisadas pela polícia, que já colheu quatro depoimentos e deve ouvir mais quatro pessoas nos próximos dias. O laudo do exame realizado no corpo deve sair até o início de outubro.

Relacionamento abusivo Ao Fantástico, a mãe de Isabelle, Isorlanda Caracristi, afirmou que se preocupava com a relação da filha com o homem, que era seu chefe.

Os dois teriam se conhecido durante o estágio da jovem em um escritório de advocacia em julho e dez dias depois já tinham começado o relacionamento. A professora contou que considerava o comportamento do homem controlador e que havia questionado a rapidez com que o namoro avançou.

Isabelle também já teria reclamado para a mãe comportamento ciumento e possessivo do namorado. Namorado de Isabelle era casado

Neto era casado com outra mulher quando começou a namorar Isabelle, conforme confirmou a advogada de defesa dele, Lígia Peixe, ao g1. Ele se casou em janeiro de 2025.

Em depoimento antes de ser preso, nesta segunda-feira, ele afirmou que é "formalmente casado, mas estava separado de fato e em processo de divórcio" e disse que o terminou o relacionamento cerca de 15 dias antes de começar a namorar a jovem. O bacharel em Direito pontuou, ainda, que quando começou a se relacionar com Isabelle, negou que era casado por medo da reação da jovem, mas posteriormente, teria explicado a situação.

Neto era chefe de Isabelle, a jovem tinha começado um estágio no escritório de advocacia em que ele trabalhava em julho. Polícia realizou perícia no prédio

A Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) realizou perícia no apartamento onde o casal vivia, no terraço do prédio e no local onde o corpo da estudante caiu na mesma noite da ocorrência. Segundo a PCCE, outras análises e exames complementares seguem em andamento e serão em 10 dias.

As investigações sobre o caso seguem em andamento. A Pefoce produziu dez laudos periciais sobre o caso e outros três estão em fase de conclusão.

Equipes estiveram no local onde Isabelle foi encontrada morta durante a noite da ocorrência, com integrantes da Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops) pela Polícia Militar do Ceará (PMCE). Os policiais atuavam próximo ao prédio e foram chamados por funcionários do condomínio.

“Isabelle foi reconhecida, no próprio condomínio, por outras pessoas que moravam no apartamento e que apresentaram um documento de identificação da vítima. Na sede da Perícia Forense do Ceará, o corpo foi submetido a exame necroscópico detalhado e realizadas as coletas e os exames pertinentes às circunstâncias investigadas, inclusive aqueles destinados à apuração de aspectos relacionados à violência de gênero”, pontua a PCCE.

O laudo cadavérico apontou como causa da morte politraumatismo, com lesões no corpo da jovem compatíveis com o impacto contra o solo. Conforme a PCCE, a necropsia não constatou que Isabelle estivesse grávida.

Exames laboratoriais realizados tiveram resultado negativo para substâncias de interesse toxicológico. A investigação é conduzida pelo Grupo Especial de Investigação (GEI), composto por equipes da 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital, da 2ª Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

A polícia investiga o crime sob a perspectiva de gênero.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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