Na TV Globo, Flávio Bolsonaro nega

Na TV Globo, Flávio Bolsonaro nega 'contrapartida' a Vorcaro por verba para filme e tenta vincular caso Master a Lula

Fonte: Bandeira da fonte

O senador Flávio Bolsonaro (PL) negou nesta sexta-feira que o elo com o banqueiro Daniel Vorcaro, derivado do financiamento do longa "Dark Horse", teve "contrapartida" na sua atuação como parlamentar.
A declaração ocorreu durante a quinta entrevista da série da TV Globo com os candidatos à Presidência da República, transmitidas ao vivo sempre após a exibição do Jornal Nacional.
O senador disse que "não tem absolutamente nada de errado em um filho buscar financiamento para o filme do próprio pai".
Também argumentou que a "única relação" que tinha com o banqueiro era sobre o filme.
— Não teve nenhuma contrapartida no meu mandato no Senado para esse investidor.
Foi um patrocínio que não tem nenhuma transferência para Flávio Bolsonaro — afirmou.
Em maio, o site The Intercept revelou mensagens trocadas entre Flávio e Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, nas quais o senador buscava recursos para financiar a produção sobre o pai.
Segundo a publicação, foram negociados R$ 134 milhões, dos quais R$ 61 milhões teriam sido efetivamente repassados.
Questionado se apresentaria detalhes dos valores gastos no filme, Flávio afirmou que é "uma relação privada".
Disse também que quem deve explicações sobre o escandâlo do Banco Master é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
—Todo o patrocínio que foi feito foi usado no filme.
Eu pedi à produtora que apresentasse a prestação de contas, e isso foi feito na investigação que corre na Polícia Civil de São Paulo.
(mas não há detalhes sobre o fundo americano, e a PF considera que isso é fundamental) É do completo interesse dar transparência.
O que a perícia conclui? Que não tem um centavo de dinheiro público.
É uma relação totalmente privada.
E mostra que o filme custou mais do que o patrocínio que ele fez.
A Polícia Federal abriu uma investigação para apurar se recursos relacionados ao projeto foram utilizados para custear despesas do ex-deputado fedral Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos.
Até o momento, não há conclusão da investigação que aponte que isso tenha ocorrido.
O assunto voltou a ganhar exposição nesta semana depois de o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a PF a acessar provas reunidas pela Polícia Civil de São Paulo numa investigação que envolve a Go Up Entertainment, produtora responsável pelo longa.
O compartilhamento ocorreu no âmbito de uma apuração sobre a destinação de emendas parlamentares.
O primeiro sabatinado foi o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) na segunda-feira.
Os dias seguintes tiveram entrevistas com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), o empresário Renan Santos (Missão) e o presidente Lula.
Voto à voto
Na pesquisa Quaest divulgada em meados de agosto, Flávio apareceu empatado técnicamente com o presidente Lula na simulação de segundo turno.
O levantamento mostra o petista com 43%, contra 40% do filho de Jair Bolsonaro.
Os dados indicam a tendência de uma eleição parelha, decidida voto a voto.
Na prática, o resultado faz com que se volte ao patamar anterior ao caso “Dark horse”, quando, em meados de maio, soube-se do elo entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.
Depois dali, Lula chegou a abrir oito pontos de distância para o adversário no segundo turno, mas a vantagem caiu.
Hoje, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o placar configura empate.