Na 'superquarta', Ibovespa fecha acima dos 184 mil pontos e dólar fica estável

 

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O Ibovespa registrou o 8º recorde do ano no pregão desta quarta-feira (28), dia de decisões sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos. O principal índice da Bolsa brasileira fechou em nova máxima histórica, aos 184.691 pontos, com alta de 1,52%. Durante a sessão, também bateu recorde intradiário ao romper a barreira dos 185 mil pontos.

Após a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed), o índice chegou a perder tração, mas recuperou fôlego em seguida e manteve o avanço. Já o dólar, que abriu o dia em queda, ganhou força em nível global após o anúncio do banco central dos EUA e terminou o pregão estável, cotado a R$ 5,20. A mínima do dia foi de R$ 5,17.

Na terça-feira (27), o Ibovespa já havia renovado os recordes intradiário e de fechamento. O desempenho positivo dá sequência ao forte movimento da semana passada, quando acumulou valorização de 8,53% - o melhor resultado semanal desde abril de 2020. Já o dólar fechou o pregão anterior no menor patamar desde maio de 2024.

O que movimenta o mercado?

A oscilação ocorre em meio às decisões importantes sobre juros nos Estados Unidos e no Brasil. Nesta quarta, o Federal Reserve decidiu manter a taxa de juros inalterada na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano — menor nível desde setembro de 2022 — em linha com a expectativa do mercado. Com o movimento, o Fed interrompe um ciclo de três cortes consecutivos. Na reunião anterior, em 10 de dezembro, o banco central havia reduzido os juros em 0,25 ponto percentual.

O comunicado do Fed foi interpretado por agentes do mercado como ligeiramente mais conservador. O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) destacou que a atividade econômica segue “forte”, enquanto a taxa de desemprego mostrou sinais de estabilidade e a inflação permanece “um pouco elevada”.

Em entrevista ao Jornal da CBN, o ex-secretário do Tesouro Nacional Mansueto Almeida afirmou que o bom resultado da bolsa brasileira e a valorização do real estão relacionados ao movimento de investidores estrangeiros por diversificar riscos, sobretudo diante das incertezas provocadas pelo presidente americano, Donald Trump. Neste cenário, segundo ele, países da América Latina têm chamado a atenção.

Mansueto Almeida comentou ainda sobre a taxa básica de juros no Brasil. Nesta quarta, o Comitê de Política Monetária realiza a segunda reunião que vai decidir os rumos da Selic. Para o ex-secretário do Tesouro, há margem para cortes da taxa, que atualmente está em 15% ao ano.