Na Papudinha, Vorcaro e ex-presidente do BRB têm direito a receber orientações financeiras para vida pós-prisão
FolhapressO ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, presos no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), têm direito a ajuda espiritual oferecida pela Polícia Militar (PM) de Brasília, responsável pelo centro de detenção.
A capelania da PM também deu à dupla a possibilidade de participar de um curso chamado Recomeçar, em que o preso tem assistência emocional e recebe orientações financeiras para que possa retomar a vida após a prisão.
Vorcaro e Costa são acusados de um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Master e o BRB.
Ambos tiveram propostas de delação premiada rejeitadas pelas autoridades competentes.
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A Papudinha está dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, ao lado da Penitenciária Federal de Brasília.
O batalhão, com capacidade para 60 presos, tem hoje 52, divididos em alojamentos coletivos para até quatro ou até dez pessoas.
O local é considerado um núcleo de detenção, mas a leva recente de presos que não integram a PM como Vorcaro fez com que a corporação reivindicasse o enquadramento do batalhão como presídio.
A PM afirma que hoje usa o próprio orçamento para arcar com todos os custos do local e que, como prisão, teria direito a recursos federais ou do Distrito Federal.
Segundo a instituição, as tratativas ainda estão no início e não têm previsão de conclusão.
O direito de ficar detido numa sala de Estado-Maior é concedido, via de regra, a advogados e autoridades.
Apesar de Vorcaro não ter qualquer prerrogativa para ocupar um espaço assim, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou que há "peculiaridades" no caso que justificariam a permanência dele na Papudinha, como "risco concreto à integridade física".
Na decisão que autorizou a transferência de Vorcaro da Superintendência da Polícia Federal em Brasília para a Papudinha, o ministro também negou que esteja concedendo "privilégio, distinção indevida ou tratamento favorecido".
Antes das tratativas em torno de um acordo de delação premiada, Vorcaro estava preso na Penitenciária Federal de Brasília, unidade de segurança máxima administrada pelo governo federal.
Enquanto os presos da Papudinha podem receber visitas dois dias na semana durante uma hora, os presos da Papuda têm metade do tempo: duas horas a cada duas semanas.
Já na Penitenciária Federal, os detentos são proibidos de ter contato físico com os visitantes.
A conversa se dá por meio de uma chamada telefônica, em que o preso e o familiar ficam separados por um vidro e são ouvidos em tempo real.
A perita do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura Carolina Lemos afirma que o Complexo Penitenciário da Papuda e o presídio federal se diferem em muitos aspectos da Papudinha.
"A situação do sistema prisional do DF é muito degradada.
As pessoas têm pouca possibilidade de ter um ambiente minimamente salubre porque em muitas unidades também há a questão da superlotação", relata.
"Já a Penitenciária Federal tem um regime muito puxado.
Banho de sol restrito, com pouquíssimas pessoas, não pode conversar.
O isolamento de contato humano é muito forte.
Do ponto de vista estrutural o local é comparativamente melhor, mas você não sai da cela.
Basicamente não há convivência."
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, está preso na Papudinha
Victor Moriyama/Bloomberg
