O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) evitou responder se Jair Bolsonaro teria cargo caso ele seja eleito durante entrevista à TV Globo nesta sexta-feira. O senador também negou que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro será chanceler em um eventual governo. — Não será chanceler — disse Flávio, após elogiar a atuação do irmão nos Estados Unidos. Eduardo está fora do Brasil desde fevereiro do ano passado. O ex-parlamentar alega ser vítima de supostas perseguições do Judiciário brasileiro. Quando questionado sobre a participação do pai em um eventual governo, Flávio desconversou e criticou o julgamento que prendeu seu pai. — O Flávio Bolsonaro. Quem é o pai dele? É o Jair Bolsonaro. A instituição Presidência da República. O Flávio presidente da República. O meu pai vai ser você, o povo brasileiro. O presidente Bolsonaro nunca tratou de cargo comigo. Nunca sugeriu que queria trabalhar no governo. Não está no radar (que ele tenha um cargo). Economia e reeleição Durante a entrevista, o candidato do PL à Presidência negou uma série de medidas econômicas defendidas pelo mercado financeiro e ventiladas por seus assessores econômicos. Ele disse que manterá a valorização real do salário mínimo e que não vai mudar os pisos de gastos constitucionais com Saúde e Educação. — Meu concorrente está promovendo um terrorismo, dizendo que eu acabaria com as aposentadorias, com os servidores públicos, que eu privatizaria Banco do Brasil, Caixa, Petrobras, que eu acabria com a luz do sol — alegou. — O maior ajuste fiscal que o Brasil pode fazer é tirar o Lula. Ele é o maior problema para esse desajuste de contas. Flávio não deu detalhes de como promoveria os cortes de R$ 200 bilhões nas contas públicas que são prometidas por assessores. Ele mencionou genericamente reduções em ministérios e nas estatais, além de aumento de receitas via royalties do petróleo e "combate à corrupção". Questionado sobre ter votado a favor do fim da escala 6x1 após chamar o projeto de "oportunista", o senador disse que a mudança não se deu por mera conveniência eleitoral. — Eu rodei o Brasil inteiro e votei porque vi que a maioria dos brasileiros queria o fim da escala. Todo mundo quer trabalhar menos e ganhar mais, o problema é que com mais um dia de folga você vai andar de ônibus e ser assaltado, vai dormir preocupado com as dívidas. O candidato do PL prometeu de novo acabar com o instituto da reeleição e afirmou que "só precisa de um mandato para começar a consertar o Brasil". Nas perguntas sobre o pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar a cinebiografia do pai, Flávio voltou a dizer que era "dinheiro privado para um filme privado", sem responder o que aconteceu com os recursos enviados a um fundo do exterior, o Havengate. Também não explicou a diferença entre o custo estimado para o filme por uma perícia e os R$ 134 milhões solicitados a Vorcaro. Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta mostra Flávio com 47% das intenções de votos totais, contra 45% de Lula. Em relação ao levantamento da semana passada, o filho de Jair Bolsonaro oscilou dois pontos para baixo, enquanto o petista se manteve no mesmo patamar.
Na Globo, Flávio diz que Eduardo não será chanceler e evita responder se daria cargo ao pai: 'Nunca tratou disso'
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O Globo
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