O Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 acontece no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, no próximo domingo (8), consolidando uma mudança na estratégia dos patrocinadores e parceiros do evento. Mais do que disputar espaço visual no autódromo ou fora dele, as marcas que estarão na corrida, abrangendo setores como financeiro, tecnologia, bebidas, automobilístico, entre outros, querem capturar a atenção de um público mais jovem - sobretudo a partir dos 16 anos, indo até os 45 -, mais feminino e com alto poder aquisitivo.
A MC Brazil Motorsport, organizadora do evento, informou que o GP do Brasil neste ano envolve cerca de 400 marcas, repetindo o número de 2025. Segundo dados da SPTuris e da Fundação Getúlio Vargas, a corrida do ano passado movimentou R$ 2,3 bilhões na economia da cidade de São Paulo, um aumento real de 9,7% em relação a 2024.
O gasto médio por pessoa foi de R$ 2.829,46, e o gasto médio total dos turistas na cidade e no evento chegou a R$ 6.553,33. O GP reuniu 303.627 pessoas nos três dias de evento, dos quais 75% vieram de fora da capital.
No primeiro semestre deste ano, mais de 52,8 milhões de pessoas assistiram às transmissões da Globo e do SporTV, superando os 39,3 milhões registrados pela Band em 2025, informou a Globo. O GP deste domingo (8) será transmitido pela TV Globo e pelo SportTV, a partir das 14h.
A F1 estimulou campanhas até fora do autódromo. American Express montou em São Paulo o espaço temporário “The Coffee Stop”, aberto ao público nesta semana na avenida Faria Lima, integrando café, música e Fórmula 1, além de planejar ativações no autódromo para os dias da corrida.
Seu vice-presidente de marketing para a América Latina, Rodrigo Bochicchio, diz que a base de clientes do cartão tem forte convergência com o rejuvenescimento da Fórmula 1. “Cerca de 65% de aquisição dos nossos portadores hoje são conectados com a Geração Z e com os Millennials.”
O Santander aposta no cruzamento entre automobilismo e moda urbana ao lançar a coleção de vestuário “Fragmentos”, que incorpora peças de carros de corrida em alguns dos modelos exclusivos, além de ter uma arquibancada exclusiva para 1.100 pessoas e espaço corporativo no autódromo.
“A Fórmula 1 mudou muito o seu perfil de consumo, o que ajuda a rejuvenescer a marca ao mesmo tempo em que continua muito atrativa para o público de alta renda, que é prioritário para o banco”, afirma Guilherme Bernardes, diretor de marketing do banco. Já o Nubank utiliza sua parceria global com a escuderia Mercedes assinada no início deste ano para reforçar sua ofensiva sobre o segmento de alta renda.
Montou a Nubank House, espaço gratuito no estádio Nubank Parque, no bairro da Água Branca, com simuladores e itens históricos da equipe alemã. “Vemos nos últimos anos um engajamento muito forte do público jovem, com mais marcas envolvidas, muitas mulheres e meninas se interessando pelo automobilismo”, diz Alessandra Souza, que comanda o marketing e a comunicação corporativa da Mercedes-Benz no Brasil, que vai ter um espaço VIP no autódromo.
A conexão da pista com as concessionárias de veículos norteia a estratégia da Ford. A montadora tem parceria técnica com a Red Bull para o desenvolvimento das unidades de potência híbridas usadas nos carros da escuderia austríaca a partir desta temporada.
Segundo Marcel Bueno, diretor de marketing na América do Sul da Ford, o engajamento nas redes sociais (o número de interações que uma postagem recebe, dividido pelo número de visualizações da postagem) de publicações envolvendo a categoria é de 95%. No segmento de combustíveis e conveniência, a Raízen ampliou a presença da marca Shell com a maior estrutura física já montada pela empresa em Interlagos, com área 50% maior do que no ano passado, com arquibancada para 2.100 pessoas, além de uma área VIP para 420 convidados.
Fora do autódromo, a marca envelopou nove postos e cinco unidades Shell Select nas avenidas dos Bandeirantes e Interlagos com o tema das miniaturas colecionáveis Ferrari lançadas no mês passado. “Esperamos comercializar 360 mil carrinhos nos postos Shell”, diz Rodrigo Patuzzo, diretor de marketing da Raízen.
A memória afetiva do automobilismo nacional é o fio condutor adotado pela Porto. Instalou em Interlagos uma exposição sobre a vida do piloto brasileiro José Carlos Pace, que dá nome ao autódromo.
Oliver Haider, diretor de marketing da seguradora, diz que foram vendidos mais de 5 mil ingressos por meio do cartão Porto Bank para a arquibancada da companhia. A Heineken, por sua vez, estrutura a operação em torno da cerveja Heineken 0.0, ancorada em uma estrutura de 30 mil metros quadrados em formato de estrela localizada no miolo do circuito, onde também vai receber milhares de fãs.
Bruna Rosato, gerente de marketing da Heineken 0.0, lembra o acordo global da companhia com a F1, que garante também os direitos de nomear o GP de São Paulo a partir de 2027. A Lenovo, que fornece a infraestrutura de tecnologia em todas as corridas da F1, usa o GP de São Paulo como vitrine.
“Mostramos aos clientes que, se conseguimos suportar a infraestrutura de centros de comando em um evento de altíssima exigência, podemos entregar qualquer projeto de TI para as empresas”, diz a diretora de marketing da Lenovo Brasil, Eliane Andreu. A visibilidade internacional dada pela corrida da Fórmula 1 também é o principal destaque para a MSC Cruzeiros, detentora dos “naming rights” da edição deste ano por meio da sua controladora MSC Cruises, que utiliza o evento para chamar atenção ao início da temporada de cruzeiros na América do Sul.
Alberto Revelli, que chefia a área de patrocínios esportivos da companhia, diz que as ativações em terra antecipam experiências oferecidas nos cruzeiros, como simuladores e exibições conjuntas com a equipe francesa Alpine, utilizando a associação da marca ao evento da Fórmula 1.
Valor