Na elite, Remo aquece comércio e anima vendedores na capital paraense

 

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O futebol é o esporte mais popular do mundo. Além de mexer com as emoções dos torcedores, a modalidade também impacta a economia de cidades, estados e países. Afinal, em dias de jogo, há aumento na comercialização de produtos, no uso de transporte e em outros setores.


Aqui no Pará, com o Remo na Série A do Campeonato Brasileiro, vendedores já sentem o impacto do momento azulino e vivem a expectativa de que o comércio cresça ainda mais.


Segundo o gerente da loja de produtos oficiais do Remo, localizada no Baenão, Davi Ricarte, houve um aumento de 20% a 30% na venda de camisas e outros itens. De acordo com ele, o crescimento não foi tão abrupto, já que o clube vive uma fase positiva há mais tempo, mantendo o torcedor empolgado ao longo da temporada e a boa fase ou não impacta diretamente na adesão dos torcedores. 


“Não foi uma mudança tão drástica porque já vínhamos de um crescimento. O torcedor está animado há cerca de um ano e meio, com dois acessos seguidos. Mas, com certeza, da Série B para a Série A, tivemos um aumento de 20% a 30% nas vendas”, afirmou.


Esse movimento também é percebido no Ver-o-Peso, principal ponto turístico da capital paraense e centro comercial. No local, diversas bancas comercializam produtos de clubes de todo o mundo e, segundo os vendedores, a procura por itens do Remo aumentou bastante desde o ano passado.


Seu Carlos Alberto Alves de Souza, de 62 anos, trabalha desde os sete anos no local e tem no futebol o “carro-chefe” da banca.


“Melhorou bastante, uns 100%. Todo mundo quer levar a camisa do Remo, até o pessoal de fora, porque o clube está na Série A e é visto como um time entre os melhores”, comentou.


Seu Carlos está confiante para aumentar, ainda mais, as vendas (Thiago Gomes / O Liberal)


Novos consumidores


Segundo Davi, o perfil do cliente também tem mudado. Com o Remo na elite, mais torcedores passaram a frequentar o estádio e, consequentemente, a consumir produtos do clube.


“Hoje a gente observa pessoas que não costumavam mais ir ao estádio, ou que nunca tiveram essa experiência, buscando isso agora na Série A. Tem muita gente voltando e também novos torcedores chegando, não só para consumir, mas para viver o jogo”, explicou.


Além dos paraenses, há também a presença de público de fora. Conforme Davi, nos jogos em que o Leão Azul foi mandante, houve procura de torcedores visitantes por produtos da equipe azulina.


“No dia seguinte ao jogo contra o Internacional, por exemplo, vários torcedores do Inter vieram comprar camisa e personalizar. Eles têm curiosidade sobre a história do clube, perguntam, gostam e levam como lembrança. Isso também aconteceu com torcedores do Fluminense”, relatou.


No Ver-o-Peso, o feirante João Alves, de 64 anos, também percebe o impacto. Trabalhando no local desde os 17, ele estimou um aumento de cerca de 50% no movimento após o acesso do clube.


“Eu calculo que meu negócio aumentou uns 50% depois que o Remo subiu. Já no ano passado, com o time em ascensão, o pessoal de fora também comprava muito. Só se falava do Remo”, disse. 


João trabalha no Ver-o-Peso desde 17 anos (Thiago Gomes / O Liberal)


Além dos produtos azulinos, há também procura por itens de clubes visitantes, como Internacional, Vasco, Fluminense e Bahia, que enfrentaram o Leão Azul em Belém. Um dos jogos mais aguardados pelos vendedores é o contra o Flamengo, que tem muitos admiradores no estado. 


"Quando tem na data do jogo, a gente se prepara um dia ou dois dias antes. Do Flamengo, por exemplo, vem muita gente de fora, aí a gente se prepara para comprar muita camisa do Flamengo, do Remo é natural", apontou. 


O artesão Josias Nascimento, de 50 anos, também se beneficia do movimento. Ele trabalha com peças de cerâmica e miriti no Ver-o-Peso e vende itens personalizados com escudos de clubes, principalmente para turistas em busca de lembranças do Pará.


"O futebol traz muitos torcedores, do Remo, Corinthians, Flamengo, todos esses clubes que vêm para a nossa cidade, compram. Veem os clubes para os quais torcem e levam como lembrança. [Com o Remo na Série A], as expectativas de venda são as melhores possíveis", ressaltou.


Josias relata muita procura de turistas (Thiago Gomes / O Liberal)


Expectativa


Para além da comercialização de produtos, o futebol também movimenta setores como hotelaria, turismo e gastronomia. Um levantamento da Prefeitura do Rio de Janeiro apontou que jogos de Botafogo, Flamengo, Vasco e Fluminense geraram um impacto de R$ 1,9 bilhão na economia em 2023. Nesse cenário, a presença do Remo na Série A pode representar ganhos significativos para Belém.


“Esse bom momento depende muito de resultado. Futebol é resultado. Estamos investindo pesado em materiais e acessórios, na expectativa de que o torcedor acompanhe essa fase e consuma mais”, destacou Davi.


Entre os vendedores, a expectativa é de crescimento contínuo. Seu Carlos, por exemplo, aposta alto e projeta vender mais de 5 mil camisas ao longo do ano - desde que o time mantenha o bom desempenho em campo.


“Tem que melhorar ainda mais. Quanto mais o Remo ganhar, mais as vendas aumentam”, afirmou.