"Na Casa do Rio Vermelho" celebra uma década de sucesso nos palcos, revivendo o amor entre Zélia Gattai e Jorge Amado

 

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Neste ano, o espetáculo "Na Casa do Rio Vermelho – O Amor de Zélia e Jorge" atinge a marca histórica de uma década em cartaz. Para celebrar esta década de trajetória, a montagem protagonizada por Luciana Borghi inicia uma temporada especial no Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), com estreia no dia 02 de maio. As apresentações ocorrem sempre aos sábados e domingos, às 16h.

Com texto e direção de Renato Santos, o monólogo é uma imersão profunda e sensível nos 56 anos de união entre Zélia Gattai e Jorge Amado. A peça utiliza a memória musical e literária do casal para transportar o público até a famosa residência do Rio Vermelho, em Salvador: um espaço que foi o coração da cultura brasileira no século XX, recebendo figuras ilustres da política e das artes, como Pablo Neruda, Tom Jobim e Vinícius de Moraes.

Idealizado por Luciana Borghi, o projeto nasceu em 2016, no centenário de Zélia Gattai, estreando no próprio Memorial da Casa do Rio Vermelho, na Bahia. Ao longo desta década, a interpretação de Luciana se lapidou, trazendo hoje uma Zélia ainda mais íntima e vibrante.

"Me mudei para a Bahia para estudar a vida deles, entrevistei amigos e criei laços com a família. Precisava vivenciar aquele universo, a casa, não como visita, mas como quem habita aquelas memórias", conta Luciana. No palco, ela dá voz à Zélia contadora de histórias, que começou a escrever aos 63 anos e se tornou uma das maiores memorialistas do Brasil.

A proposta do espetáculo parte de uma dramaturgia do afeto, na medida em que sua estrutura é fundamentada nos livros de Zélia e segue um formato de narrativa que é herança direta de lembranças emocionais. Sob a interpretação precisa de Luciana, a personagem Zélia Gattai por vezes se confunde com as icônicas figuras femininas da obra de Jorge Amado: ora apaixonada como Dona Flor, ora guerreira como Tereza Batista.

O repertório musical assume o papel de elemento central da peça e evoca o universo sonoro que preenchia a casa. A música conduz a cena, revelando os estados de espírito de Zélia e o clima de um Brasil de grandes compositores, conforme constrói uma atmosfera residencial e envolve a plateia. "A ideia é transpor a literatura brasileira para o palco através de um teatro intimista, próximo à contação de história", detalha a atriz.

O cenário, projetado por Renato Santos, reforça o tom de recordação da peça: caixas de papelão espalhadas pelo palco guardam objetos que evocam a vida do casal, como máquinas de escrever, discos de vinil e fotografias. O figurino, assinado por Goya Lopes, é inspirado nos bordados que Zélia tanto gostava, fruto de pesquisas sobre os países que o casal visitou.

Para Paloma Amado, filha dos escritores, a peça é um reencontro emocionante: "Surge Luciana/Zélia com a mesma doçura, a mesma força, o mesmo rosto delicado. É uma felicidade que o público possa conhecer mais de minha mãe pelas mãos e sensibilidade da Luciana". Na peça Zélia Gattai vira personagem de sua própria história, revivendo suas memórias, no momento em que se despede sozinha da Casa do Rio Vermelho, onde viveu por 40 anos ao lado de Jorge Amado.

Mergulhe na poesia, na delicadeza e na intimidade que marcaram o romance de Zélia Gattai e Jorge Amado, em uma montagem que transporta o público para o seio da literatura baiana, entre memórias, canções e histórias eternizadas na cultura do país. Celebrando uma década de vivência e transformação nos palcos, o espetáculo costura estética e memória para revisitar, de forma sensível e intimista, uma das histórias de amor mais emblemáticas do imaginário literário brasileira!

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"Na Casa do Rio Vermelho – O Amor de Zélia e Jorge"