Acusada pelo governo Emmanuel Macron e por Marine Le Pen de ser responsável pelos protestos violentos na França nas últimas semanas, a esquerda do país europeu tenta usar a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Brasil como estratégia para sair das cordas. Le Pen, do partido de direita nacionalista Reagrupamento Nacional (RN), tem liderado as pesquisas para a eleição presidencial de abril, com Raphaël Glucksmann, da coalizão formada pelo Partido Socialista, pelo Place Publique e pela Esquerda Republicana e Socialista, e Jean-Luc Mélenchon, do partido de esquerda A França Insubmissa (LFI, na sigla em francês), disputando a segunda posição com Édouard Philippe, ex-primeiro-ministro de Macron.
Enquanto Glucksmann tem criticado a violência nos protestos na França e se distanciado do LFI, Mélenchon tem culpado o governo Macron pelos tumultos. Após o segundo turno no Brasil, ambos foram às redes sociais elogiar Lula e sinalizar que esperam uma virada eleitoral na França em 2027.
“Viva Lula, viva o Brasil da dignidade. As pesquisas e os comentaristas especialistas — blá-blá-blá — previam seu fracasso certo”, escreveu Mélenchon no X, afirmando que o petista “derrotou a extrema-direita e as interferências estrangeiras”.
“A magnífica campanha de massas reuniu, nas urnas, o povo das favelas e os trabalhadores contra a ditadura do dinheiro-rei e do desprezo pelo povo”, acrescentou o esquerdista. Já Glucksmann afirmou que “a vitória de Lula é uma lição maravilhosa: na política, nada é fatalidade”.
“Quase todos os comentaristas davam [Flávio] Bolsonaro [PL] como vencedor, mas uma imensa mobilização cidadã em prol da democracia provou que eles estavam errados. Assim como na Sérvia, com [Aleksandar] Vučić”, disse, citando o presidente sérvio, derrotado nas eleições parlamentares de domingo (25).
“Espero que as derrotas de [Benjamin] Netanyahu e [Donald] Trump venham na sequência, para mostrar que, diante da internacional de extrema-direita, uma reação democrática é possível”, afirmou Glucksmann, citando o pleito nacional de Israel, que está sendo realizado nesta terça-feira (27), e as midterms americanas, marcadas para o dia 3 e nas quais o Partido Republicano tentará manter o controle do Congresso dos Estados Unidos.
Não é só na França que a esquerda tenta usar a vitória de Lula como motivação para eleições locais. Um aliado do petista, o presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, disse que a vitória da esquerda no Brasil marca o começo da “virada do progressismo global”.
“Grande vitória de Lula! O que aconteceu no Brasil acontecerá na Espanha. A virada do progressismo global acaba de começar”, escreveu o socialista no X.
No início de outubro, o presidente do governo da Espanha anunciou a dissolução do Parlamento e a antecipação das eleições gerais no país europeu, que estavam previstas para 2027 e agora serão realizadas no dia 29 de novembro. A legenda de Sánchez, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), tem aparecido nas pesquisas atrás do conservador Partido Popular (PP).
Na Argentina, o peronista Axel Kicillof, governador da província de Buenos Aires e possível adversário do presidente Javier Milei na eleição de 2027, foi na mesma linha. “Lula venceu as eleições, deixando uma lição: nunca se deve desistir”, escreveu no X, afirmando que “há outro caminho”.
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Gazeta do Povo (Mundo)