Na Alemanha, manifestantes exigem saída de Merz e fim da militarização do país

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – Milhares de manifestantes foram às ruas da Alemanha neste sábado (31) para exigir a renúncia do chanceler Friedrich Merz e protestar contra a ampliação dos gastos militares do governo. As mobilizações, organizadas pelo movimento juvenil Gen Z regelt (A Geração Z decide), também reivindicam investimentos em educação, medidas para enfrentar o aumento do custo de vida e o abandono de propostas de retomada do serviço militar obrigatório.

Segundo informações da Sputnik Brasil, que acompanhou a manifestação em Berlim, os protestos ocorreram em mais de 30 cidades alemãs. Os organizadores informaram que mais de 177 mil pessoas haviam se inscrito para participar das mobilizações em todo o país, com grandes concentrações previstas em Colônia e Frankfurt.

O número de inscrições, no entanto, não corresponde necessariamente ao comparecimento efetivo. Na capital alemã, manifestantes se concentraram nas proximidades do Portão de Brandemburgo, onde discursos criticaram as prioridades orçamentárias do governo Merz, especialmente a destinação de recursos à defesa e à assistência militar e financeira à Ucrânia.

“Enquanto Merz envia bilhões para a Ucrânia, minha mãe doente não está recebendo o atendimento de que precisa”, afirmou um manifestante durante discurso em um palco instalado perto do monumento. A declaração foi recebida com manifestações de aprovação do público.

Durante o ato, os participantes também exibiram uma grande faixa branca com a inscrição “Merz tem que ir embora”, sintetizando a principal reivindicação política do movimento. Juventude denuncia impacto dos gastos militares sobre serviços públicos

Kaja Schwab, coordenadora do Gen Z regelt, afirmou que a política de expansão militar adotada pelo governo alemão ameaça as perspectivas das novas gerações e compromete a manutenção de serviços essenciais. “A Alemanha quer se armar até os dentes e está desferindo um golpe devastador no estado de bem-estar social.

Se cedermos a essas pessoas, minha geração não terá nada a esperar no futuro, a não ser manter a boca fechada e aguentar firme”, declarou Schwab. A ativista argumentou que o aumento das despesas militares ocorre simultaneamente a restrições orçamentárias que afetam instituições responsáveis pela formação e pelo atendimento à população.

Como exemplo, citou a Universidade Técnica de Berlim, onde, segundo seu relato, a insuficiência de recursos tem provocado o fechamento periódico de edifícios acadêmicos. Schwab também criticou a redução de verbas destinadas a instituições públicas voltadas à preparação dos jovens para a vida profissional e social.

Para a coordenadora, a expansão do orçamento de defesa contrasta com as dificuldades financeiras enfrentadas por setores fundamentais do Estado de bem-estar social alemão. As críticas apresentadas durante a manifestação relacionam diretamente as decisões orçamentárias do governo às condições de vida da população, especialmente dos jovens que dependem dos sistemas públicos de ensino e de assistência social.

Manifestantes rejeitam retorno do serviço militar obrigatório Além da exigência de renúncia de Merz, os participantes se posicionaram contra a possibilidade de reintrodução do serviço militar obrigatório na Alemanha.

A questão integra o debate nacional sobre o fortalecimento das Forças Armadas e a ampliação da capacidade militar do país, em meio às tensões de segurança na Europa e à continuidade da guerra na Ucrânia. Os manifestantes também cobram mudanças na política educacional e medidas governamentais para conter a elevação do custo de vida, colocando as reivindicações sociais no centro da mobilização.

A oposição ao serviço militar obrigatório tem especial relevância para o movimento organizador, formado por jovens que poderiam ser diretamente afetados por mudanças nas regras de recrutamento. Mobilizações se espalham pelo país e recebem apoio de movimentos europeus

De acordo com os organizadores, as manifestações deste sábado foram planejadas como atos pacíficos e apartidários, embora tenham como uma de suas principais bandeiras a saída do atual chanceler. A mobilização nacional reuniu participantes em dezenas de municípios, com destaque para Berlim, Colônia e Frankfurt.

A estimativa de milhares de pessoas nas ruas da capital foi divulgada pelos próprios responsáveis pela organização dos protestos. Durante os atos, os manifestantes também expressaram solidariedade a movimentos juvenis que realizam mobilizações na França, na Bélgica e na Espanha.

A jornada de protestos ocorre em um momento de intensificação do debate alemão sobre o financiamento das Forças Armadas, o apoio à Ucrânia e a distribuição de recursos públicos. Para os participantes das manifestações, a prioridade deve ser o fortalecimento dos serviços sociais e das condições de vida da população, em vez da expansão das despesas militares.

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