MV Touska: Paquistão vai transferir ao Irã 22 tripulantes de navio iraniano apreendido pelos EUA
O Paquistão afirmou nesta segunda-feira que ajudou a transferir ao Irã 22 tripulantes do cargueiro MV Touska, apreendido pelos Estados Unidos em abril no Mar Arábico, em uma operação coordenada entre Washington e Teerã descrita como uma medida de “construção de confiança” em meio à escalada de tensões no Golfo. Segundo o Ministério das Relações Exteriores paquistanês, os tripulantes foram levados de avião ao país no domingo e devem ser entregues às autoridades iranianas ainda hoje.
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O Comando Central dos Estados Unidos confirmou a transferência dos 22 tripulantes e informou que outros seis, de uma nacionalidade não especificada, já haviam sido liberados na semana passada.
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A operação reforça o papel do Paquistão como mediador no conflito, após semanas atuando como canal de comunicação entre autoridades americanas e iranianas. O país também participou de esforços para negociar um cessar-fogo e sediou encontros de alto nível entre representantes dos dois lados. Na semana passada, Islamabad repassou a Washington uma nova proposta iraniana para encerrar o conflito, considerada insuficiente pelo presidente Donald Trump.
O MV Touska, navio de bandeira iraniana sancionado pelos Estados Unidos desde 2020, foi apreendido em 19 de abril. Segundo Washington, a embarcação teria tentado violar o bloqueio naval imposto aos portos iranianos dias antes. A Marinha americana afirmou ter disparado contra a casa de máquinas do navio após repetidos avisos para que parasse, deixando-o inoperante.
O Irã classificou a apreensão como “pirataria armada” e prometeu retaliar, mas indicou que aguardaria garantias de segurança para a tripulação e seus familiares. O governo paquistanês também afirmou que o navio deve ser levado a águas territoriais do país após reparos, antes de ser devolvido aos seus proprietários.
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A transferência ocorre em um momento de forte instabilidade no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo. Nos últimos dias, ataques a embarcações aumentaram a tensão na região e provocaram uma resposta ampliada dos Estados Unidos.
Trump afirmou que os EUA iniciariam nesta segunda-feira uma operação para “orientar” navios retidos no estreito, sem detalhar o alcance da ação. O Comando Central indicou que a medida envolve coordenação de tráfego seguro, com apoio de destróieres, mais de 100 aeronaves e cerca de 15 mil militares.
O presidente disse ainda que a operação se aplicará a países “neutros e inocentes” afetados pelo conflito, e advertiu que qualquer interferência será respondida com força. Autoridades iranianas reagiram com cautela inicial, mas passaram a ameaçar ataques a navios militares americanos e embarcações comerciais que cruzarem o estreito sem autorização de Teerã.
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Antes do anúncio da operação americana, ao menos duas embarcações relataram ataques na região. Um petroleiro foi atingido por projéteis não identificados próximo à costa dos Emirados Árabes Unidos, enquanto um cargueiro reportou investida de pequenas embarcações perto do litoral iraniano. Não houve feridos.
Tanto os Estados Unidos quanto o Irã mantêm restrições à navegação no estreito, ponto central das negociações em curso. Apesar das críticas à proposta iraniana mais recente, Trump afirmou que as conversas continuam e podem levar a um desfecho positivo.
