Museu do Amanhã celebra seus dez anos com lançamento de publicação e inauguração de livraria em seu átrio

 

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Iniciadas em dezembro do ano passado, as celebrações dos dez anos do Museu do Amanhã, na Praça Mauá, na Zona Portuária do Rio, têm sequência nesta terça-feira (14) com o lançamento do livro “Dez anos de amanhãs” (Cosac), às 17h. O evento marca ainda a abertura da Janela Livraria, no átrio da instituição, onde será realizada um debate entre o editor Charles Cosac, organizador da edição, e Fábio Scarano, curador do museu, com mediação da curadora adjunta Camila Oliveira.

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Com 528 páginas, a publicação repassa não só a trajetória da instituição, desde a revitalização da área rebatizada como Porto Maravilha, o projeto apresentado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava e sua inauguração, em dezembro de 2015, bem como remonta à história urbana local, com a chegada de escravizados ao Cais do Valongo e o crescimento da região que viria a ser conhecida como Pequena África.

Entre os nomes que assinam os textos publicados, estão o ex-prefeito e atual candidato ao governo do Estado Eduardo Paes (mandatário à época da realização do Porto Maravilha); Lucas Padilha, secretário municipal de Cultura; Cristiano Vasconcelos, diretor-executivo do museu; José Roberto Marinho, presidente do Conselho Consultivo da instituição; Ricardo Piquet, fundador do IDG (Instituto de Desenvolvimento e Gestão), OS que administra o museu; o editor Charles Cosac e a professora Sheila de Castro Faria, além de uma entrevista com Calatrava e Luiz Alberto Oliveira, que atuou na curadoria do projeto original.

— Quando pensamos num livro comemorativo, não queríamos correr o risco de virar um relatório de gestão, mas que fosse uma publicação que trouxesse todo o peso histórico desse período e da região em que o museu está instalado. O convite à Cosac e a todos os nomes envolvidos era justamente para captar todas as transformações pelas quais o museu passou nestes dez anos — comenta Cristiano Vasconcelos. — Na abertura, a estimativa era de um público de 500 mil visitantes anuais, mas já no primeiro ano registramos 1,3 milhão de pessoas, e em uma década viramos o museu mais visitado da América do Sul. Fomos de duas, três exposições anuais a sete por ano. Isso numa cidade em que o turismo é puxado não necessariamente pela visitação de museus, como outras grandes capitais. E nos orgulhamos muito de que boa parte desse público seja de cariocas, ou seja, é uma instituição que foi abraçada pela vizinhança e pela cidade.

A escultura 'Puffed Star II', do americano Frank Stella, no espelho d’água do Museu do Amanhã, clicada em 2023

Divulgação/Guilherme Leporace

O diretor destaca também a importância da abertura da livraria no interior do museu, uma demanda antiga dos visitantes. Com projeto arquitetônico de Flavio Rogozinski e light design de Diana Joels e Tomás Ribas, a Janela amplia a proposta da direção da instituição de transformar o átrio, aberto ao público, em uma extensão da Praça Mauá.

— O projeto parte de uma premissa simples, que valoriza os materiais em seu estado natural, como a madeira e o aço, com suas próprias texturas e acabamentos. A ideia foi criar um espaço confortável e funcional, sem excessos, que acolha as pessoas e facilite o uso no dia a dia — diz Leticia Bosisio, sócia-fundadora da Janela Livraria, em relação ao diálogo com a arquitetura de Calatrava. — Estamos nos organizando para implementar clubes de leitura, como já acontece nas nossas outras unidades. A proposta é abordar temas relacionados ao território em que estamos inseridos, a Pequena África, além de discutir os futuros possíveis e as questões que desafiam o nosso tempo.

Capa do livro 'Dez anos de amanhãs'

Divulgação

Ilustrado com mapas do séculos XVIII e XIX, obras de artistas viajantes como Jean-Baptiste Debret, Johann Moritz Rugendas e Thomas Ender, retratando a Baía de Guanabara e o cotidiano na cidade, fotografias históricas de nomes como Augusto Malta e Juan Gutierrez, a publicação inclui ainda registros da mudança do local desde a demolição do trecho da Perimetral que cortava a Praça Mauá e um ensaio visual de Thales Leite, além de imagens de obras e exposições que marcaram esses dez anos.

— As ilustrações, as fotografias, os mapas, os textos, as cores, a capa, todo o livro registra as inúmeras alterações sofridas pela Baía da Guanabara desde o século XVI até hoje. Essa iniciativa teve o intuito de destacar a importância do Museu do Amanhã como polo cultural de excelência e um novo brilhante a integrar o já opulento cenário, que é a panorâmica do Rio de Janeiro — destaca Charles Cosac.