Muse Maya leva ao Rock in Rio uma arte sem rótulos: "Não preciso escolher uma única versão de mim" - QTU Questões do Universo

Muse Maya leva ao Rock in Rio uma arte sem rótulos: "Não preciso escolher uma única versão de mim"

Fonte: Bandeira da fonte

Muse Maya não é uma artista fácil de colocar em uma única caixa.
E ela parece gostar disso.
Cantora, compositora, atriz, DJ e diretora criativa, a artista de Niterói, criada em Maricá, municípios na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, construiu uma trajetória em que música, imagem, performance e narrativa caminham juntas.
Em setembro, essa multiplicidade ganha um palco à sua altura: no dia 11, ela se apresenta no Supernova, do Rock in Rio 2026.
"Eu gosto de pensar na Muse Maya como uma artista que não cabe em uma única linguagem, sempre fui múltipla na minha expressão", define.

Aos poucos, essa liberdade também veio acompanhada de uma segurança maior sobre quem é e o que deseja comunicar.
"Sou uma artista que transforma vivências, referências e sentimentos em conceito, som e imagem", avalia.
Nascida em uma família profundamente ligada à música, Muse, de 26 anos, cresceu cercada por referências femininas.
Filha de uma cantora de jazz e neta de uma avó apaixonada por música, ela encontrou na composição uma forma de transformar experiências, inquietações e desejos em arte.
"Minha música sempre foi um espaço de descoberta.
Cada projeto representa um momento da minha vida e, hoje, sinto que consigo falar sobre quem eu sou com muito mais verdade", conta.
Muse Maya
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O início
A história de Muse na música começou em 2019, com os EPs LOVE e ANGER, voltados para o R&B.
No ano seguinte, ela assumiu de forma independente todas as etapas da criação do single Bem Veloz, da produção musical à mixagem, masterização, edição e lançamento.
A experiência marcou também sua aproximação com o trap.
Foi nesse período que vieram encontros importantes, como as colaborações com Baco Exu do Blues nas faixas PELE e Sei Partir, esta última entre suas músicas mais ouvidas.
Muse diz que dividir trabalhos com artistas que admira fortaleceu sua identidade artística.
"Cada encontro me fez enxergar novas possibilidades dentro da minha própria arte.
Acho que essas experiências não mudaram quem eu sou artisticamente, pelo contrário, reforçaram a certeza da artista que eu sou e deixaram mais claro quem eu quero ser e o espaço que quero ocupar", reflete.

A discografia seguiu em movimento.
Vieram os EPs Fêmea, de 2023, com colaborações femininas como Ajuliacosta, e Noites Antes do Verão, gravado em Paris.
Em 2024, ela lançou Verão, seu primeiro álbum de estúdio, seguido por Encruzilhada e, em 2025, Mulheres Como Eu Não Conhecem o Amor.
O último trabalho consolidou sua aproximação com o rap e abriu caminho para a fase atual.
Mais do que criar músicas, Muse participa ativamente da construção dos universos que apresenta ao público.
Ela desenvolve conceitos, identidade estética e clipes, além de atuar diretamente na direção e edição de seus trabalhos.
Hater, lançado recentemente, inaugura essa nova etapa e antecipa o universo visual de seu próximo disco, recém-lançado.
Muse Maya
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Presença magnética
Essa preocupação com a imagem não é gratuita.
Para Muse, o palco também é um espaço de construção narrativa.
É justamente isso que o público poderá encontrar no Rock in Rio.
"O público pode esperar muita energia, presença e uma experiência que vai além de simplesmente cantar as músicas", promete.
"Eu gosto de pensar o show como uma extensão da minha identidade artística, então existe uma preocupação muito grande com a estética, a performance e a forma como cada momento é construído", explica.
Muse Maya
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Do abstrato ao concreto
A apresentação no Supernova tem um significado especial para Muse.
Para uma artista que passou anos construindo sua trajetória de forma independente, chegar a um dos maiores festivais de música do mundo representa a concretização de um caminho.
"Acho que o momento que mais estou ansiosa para viver é subir no palco e perceber que tudo o que construí durante tanto tempo está acontecendo de verdade", celebra.

E, se depender da programação que ela própria pretende acompanhar, Muse também terá seu lado fã ativado durante o festival.
Ela está especialmente ansiosa para assistir ao show do Jamiroquai, artista que escuta desde a infância e que verá ao vivo pela primeira vez.
Também quer conferir Zara Larsson "Se eu encontrasse com ela por lá seria o maior encontro de loiras do mundo, seria um sonho!", brinca.
Muse Maya
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Sempre atenta
A multiplicidade que aparece no palco, no entanto, convive com uma personalidade mais silenciosa longe dos holofotes.
Muse conta que é extremamente observadora e que detalhes aparentemente banais podem se transformar em matéria-prima para novas músicas, conceitos ou estéticas.
"As pessoas talvez se surpreendessem com o quanto eu sou observadora.
Eu reparo muito em detalhes, em pessoas, em lugares, em comportamentos.
Muitas coisas que parecem pequenas acabam virando referência para uma música, um conceito ou uma estética depois", avalia.

"Acho que existe uma Muse Maya muito intensa no palco, mas também existe uma pessoa que passa muito tempo sozinha pensando, observando e criando", entrega.

Muse Maya
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Multifacetada
A música, contudo, não é seu único território.
Como atriz, Muse participou de produções como A Última Festa, Filhas de Eva, Lúcia, Gilda e o Bode, A Vida Pela Frente e Justiça 2.
Entre tantas experiências, ela guarda um carinho especial por Lúcia, Gilda e o Bode, trabalho em que contracenou com Fernanda Torres e Fernanda Montenegro.
"Poder trabalhar com elas foi uma experiência muito especial e de muito aprendizado", lembra.
Com mais de 100 mil ouvintes mensais no Spotify e contrato firmado com a Sony Music para a distribuição de seus projetos, Muse chega ao Rock in Rio como uma das apostas da nova música urbana brasileira.
Mas talvez sua principal força esteja justamente em não se limitar ao rótulo de "aposta".
"Essa liberdade de não precisar escolher uma única versão de mim, e sim, ser quem eu sou sem medo de ser é, afinal, o que define a Muse Maya de hoje", afirma.