Muro onde mulher foi arrastada na Marginal Tietê vira símbolo da luta contra o feminicídio
Um muro de mais de 200 metros na Marginal Tietê, no Parque Novo Mundo, na Zona Norte de São Paulo, foi transformado em memorial e símbolo da luta contra o feminicídio. A intervenção marca o lançamento da campanha do Ministério da Mulher e homenageia vítimas de violência de gênero.
A pintura foi feita no mesmo ponto onde Tainara Souza Santos foi atropelada pelo ex-companheiro, Douglas Alves da Silva, e arrastada por mais de um quilômetro ao ficar presa ao carro dele, em 29 de novembro do ano passado. O agressor está preso e responde por feminicídio.
A iniciativa transformou o espaço público em um local de memória, reflexão e mobilização social, reforçando a mensagem de que nenhuma forma de violência contra a mulher pode ser naturalizada.
Muro onde mulher foi arrastada na Marginal Tietê vira símbolo da luta contra o feminicídio
Klauson Dutra/CBN
A mobilização deste domingo (1º) contou com a presença da família de Tainara, incluindo a mãe, Lúcia Aparecida, de 50 anos. Emocionada, ela pediu que as autoridades escutem as mães de vítimas de feminicídio.
“Estamos vivendo num mundo em que não sabemos mais o que é respeito. Não se pode dizer ‘não’ para um homem. E eu sei que minha filha deve ter dito ‘não’, e ele ainda disse que não a conhecia… Imagine se tivesse conhecido. Por isso, eu peço, com o coração de mãe, que as autoridades ouçam este apelo, não só meu, mas de todas as mães que perderam suas filhas", declarou.
O ato também reuniu as ministras Marina Silva, do Meio Ambiente, Sônia Guajajara, dos Povos Indígenas, e Márcia Lopes, da Mulher, além de parlamentares paulistas e representantes de movimentos sociais.
O muro foi pintado de roxo e traz grafismos que valorizam a luta e a força feminina. A obra foi realizada por mais de 30 artistas mulheres. A programação incluiu ainda a instalação de um mastro com mensagens contra o feminicídio
Muro onde mulher foi arrastada na Marginal Tietê vira símbolo da luta contra o feminicídio
Klauson Dutra/CBN
A grafiteira Tuca explicou o tema do trabalho que ficará eternizado no mural e destacou a importância do ato: “Hoje estou pintando minha personagem, que é bem núdica, junto a duas guerreiras com escudo. O tema do meu trabalho é ‘Protejam suas amigas’. Entre nós, mulheres grafiteiras, é sobre proteger umas às outras quando soubermos de casos de agressão, inclusive psicológica".
Combate à violência
Em 2025, o Brasil registrou número recorde de 1.518 vítimas de feminicídio, uma média de quatro mortes por dia. Entre as ações do governo federal para reduzir os índices está o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, já aderido por 19 estados.
Neste mês, a ministra deve visitar os estados que ainda não firmaram compromisso com a iniciativa. A meta do governo é que todos integrem e levem a sério a implementação do Sistema Nacional de Políticas para as Mulheres.
