Mulheres têm maior poder sobre o consumo cotidiano nas favelas
As mulheres moradoras de favelas têm hoje o maior poder sobre o consumo cotidiano nas comunidades. Elas tendem a experimentar mais novas possibilidades e a influenciar mudanças. Se uma experiência é falha, o público feminino abandona um produto ou um serviço e leva todas as pessoas da casa com elas. A constatação é da pesquisa Tracking das Favelas — Tendências 2026, conduzido pela NÓS — Inteligência e Inovação Social. O estudo monitora regularmente hábitos de consumo em mais de seis mil comunidades no país, num mercado estimado em R$167 bilhões.
São elas que lideram as escolhas das marcas quando o assunto é a compra de produtos essenciais (sejam alimentos ou itens de higiene, beleza e limpeza). Também são as mais consistentes na intenção de recompra.
“Ao olharem para estes dados, as marcas mantêm-se atentas às transformações sociais, culturais e econômicas trazidas por este público. Ignorar esse protagonismo é continuar investindo em narrativas vazias e experiências rasas”, indica a pesquisa.
O levantamento aponta, no entanto, que as mulheres são exigentes: se percebem falhas na entrega de um produto ou um serviço, elas abandonam a marca com mais facilidade. Mas também tendem a se manter mais fiéis do que os homens quando aprovam o que consomem, mesmo diante de um leque maior da concorrência e da oferta de melhores preços.
“Discursos amplos perderam força; o que define a escolha hoje é a entrega real e benefício emocional percebido”, acrescenta a pesquisa.
Uma curiosidade do levantamento diz respeito ao quesito beleza. Neste caso, as mulheres das favelas preferem marcas que estejam ligadas a representatividade e autoestima de forma acessível, mas também funcional.
A pesquisa da NÓS é feita com 800 pessoas que vivem em favelas. A coleta de dados ocorre por meio de um aplicativo que já tem usuários previamente cadastrados por classe social, gênero, idade e localidade onde vivem.
