Mulher trans é torturada e marcada com suástica após emboscada em MS; namorado e patrões são presos
Uma mulher trans de 29 anos foi vítima de tortura, espancamento e teve uma suástica nazista marcada no corpo após ser atraída para uma emboscada em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. Segundo a Polícia Civil, o crime ocorreu no último sábado (14) e os três suspeitos — o namorado da vítima e um casal para quem ela trabalhava — estão presos preventivamente.
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De acordo com as investigações, a vítima atuava como diarista e havia sido contratada há poucas semanas como empregada doméstica na residência do casal. No dia do crime, ela foi chamada ao local sob o pretexto de receber valores referentes a serviços prestados e tratar da rescisão do vínculo empregatício. Ela compareceu acompanhada do namorado.
No imóvel, conforme a polícia, os empregadores ingeriam bebida alcoólica quando passaram a exigir a devolução de valores que alegavam ter sido adiantados. Diante da negativa e da tentativa da vítima de deixar a residência, um dos envolvidos passou a ameaçá-la — questionando se ela preferia “morrer em pé ou deitada” — e deu início a uma sequência de agressões de extrema violência.
Ainda segundo a Polícia Civil, a vítima foi atacada pelos três autores, que utilizaram diversos objetos, como taco de sinuca, cabo de vassoura e faca, além de socos, chutes e ameaças de morte. Os suspeitos também tentaram amarrá-la, sem sucesso, e destruíram o celular da vítima para impedir que ela pedisse ajuda.
Durante as agressões, por determinação de um dos envolvidos, uma faca foi aquecida no fogão e utilizada para queimar a pele da vítima, marcando seu braço esquerdo com o símbolo de uma suástica. A mulher relatou ainda que foi imobilizada pelo namorado enquanto o casal continuava as agressões.
Após horas de violência, a vítima foi liberada e conseguiu deixar o local. Ela buscou ajuda em um estabelecimento comercial nas proximidades da rodoviária, de onde a Polícia Militar foi acionada.
Um dos suspeitos foi localizado nas imediações e preso em flagrante. Os outros dois foram encontrados posteriormente na residência onde ocorreram os fatos e também levados à delegacia. As três prisões em flagrante foram convertidas em preventivas na segunda-feira (16), e os investigados permanecem à disposição da Justiça.
O caso é conduzido pela Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) de Ponta Porã, sob responsabilidade da delegada Tathiana Colombo, e foi registrado como tortura e lesão corporal dolosa no contexto de violência doméstica. A polícia segue apurando as circunstâncias e possíveis motivações do crime.
