Mulher de Serra Leoa que vive há seis meses em aeroporto de Belém consegue passagem para reencontrar filho no Panamá
Uma cidadã de Serra Leoa que vive há cerca de seis meses no Aeroporto Internacional de Belém deve finalmente conseguir retomar a viagem rumo ao Panamá, onde pretende reencontrar o filho de 15 anos. Fatmata Sessay, de 56 anos, recebeu do Ministério Público do Pará uma passagem aérea para embarcar nesta segunda-feira (22), após meses vivendo no saguão do terminal desde que teve o passaporte roubado na capital paraense.
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Ao ser informada sobre a compra da passagem, Sessay se emocionou. Segundo relato publicado pela Folha de S.Paulo, ela agradeceu ao promotor Nadilson Portilho, que acompanha o caso. — Ninguém me ajudou aqui. Só você que comprou a minha passagem. Muito obrigada. Se Deus quiser, vou encontrar meu filho e recomeçar a vida — afirmou.
De acordo com o promotor, além da passagem, o Ministério Público está auxiliando a imigrante na obtenção dos documentos necessários para a viagem. — Providenciamos a compra da passagem para ela para o dia 22 de junho. Até lá vamos acompanhá-la para a intermediação do visto e da carteira de vacinação internacional para que ela possa seguir viagem — disse.
Decisão judicial garante assistência consular
Na sexta-feira (19), a Justiça Federal do Pará atendeu a um pedido do Ministério Público Federal (MPF) e determinou que o Governo do Pará e o Ministério das Relações Exteriores prestem assistência consular à imigrante em até 48 horas. A decisão da juíza Maria Carolina Valente do Carmo prevê a realização dos trâmites junto à representação diplomática de Serra Leoa, sediada em Washington, para a regularização da documentação e a obtenção dos vistos necessários para entrada na Colômbia e no Panamá.
Segundo o MPF, a mulher se encontra em situação de vulnerabilidade social e não recebeu o suporte adequado das autoridades. O procurador regional dos Direitos do Cidadão, Sadi Machado, afirmou que houve falhas no atendimento ao caso e atribuiu a demora na resolução da situação a fatores como xenofobia e racismo.
Rota marcada por assaltos e dificuldades
A trajetória de Sessay até Belém foi marcada por obstáculos. Ela afirma ter deixado São Paulo, onde vivia havia 18 anos, no fim do ano passado para procurar o filho no Panamá. Durante a viagem, relata ter sido assaltada no Peru e ter recebido ajuda de voluntários para seguir viagem até o Suriname, de onde embarcou para a capital paraense.
Já em Belém, a imigrante diz ter sofrido um novo roubo, quando perdeu o passaporte e uma passagem aérea que havia conseguido para seguir até o Panamá. As circunstâncias do crime ainda são investigadas pela Polícia Federal, segundo informações repassadas ao Ministério Público Estadual.
Sem recursos para continuar a viagem, ela passou a viver no aeroporto. Durante o dia, frequenta o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop), onde recebe alimentação e pode tomar banho. A Prefeitura de Belém informou que acompanha o caso desde dezembro de 2025 e confirmou que a mulher recebe assistência social e passou a ser beneficiária do Bolsa Família.
Apesar das ofertas de acolhimento, Sessay optou por permanecer no aeroporto. — Não quis ir para nenhum lugar porque quando saio tem gente e carros em cima de mim. Aqui me sinto segura — relatou.
A repercussão do caso mobilizou moradores da cidade, que passaram a oferecer ajuda à imigrante. Uma das pessoas que procuraram Fatmata foi a dona de casa Carla Livramento, que se dispôs a hospedá-la até a conclusão dos trâmites para a viagem. — Vi o caso na imprensa e vim oferecer a minha casa para ela. Se quiser ficar lá até conseguir viajar, posso dar alojamento e alimentação. A gente faz o papel que o poder público deveria fazer — afirmou.
