A Justiça de Santa Catarina realizou nesta quarta-feira a audiência de instrução do processo contra Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, acusada de se passar por uma menina de 12 anos e enganar uma família de Joinville.
Ao fim da sessão, o juiz responsável pelo caso afirmou que a sentença deverá ser proferida em até cinco dias.
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Amanda participou da audiência por videoconferência.
Ela está presa preventivamente desde 2 de junho e, no dia 10 do mesmo mês, completou 38 anos ainda presa.
Durante a sessão, a defesa pediu a revogação da prisão e a absolvição da ré, e o Ministério Público se manifestou contra a soltura e pediu a condenação.
Foram ouvidos os dois integrantes da família que, segundo a acusação, acreditaram que Amanda era uma criança e a "adotaram".
Também prestaram depoimento o filho do casal e um policial civil, ambos testemunhas de acusação.
Um psiquiatra e uma psicóloga, responsáveis por avaliações técnicas, também foram ouvidos.
Os advogados Sarita Henrique de Paiva e Lúcio Sousa sustentaram que Amanda deve ser absolvida.
Segundo a defesa, os laudos produzidos no processo indicam que ela apresenta quadros psiquiátricos e necessita de tratamento.
O conteúdo dos laudos está sob segredo de Justiça.
A identidade das testemunhas e o teor dos depoimentos prestados durante a audiência também estão protegidos por sigilo.
Com a conclusão da audiência de instrução, o processo entra na fase final antes da decisão judicial.
Segundo o magistrado, a sentença deve ser publicada em até cinco dias.
Relembre o caso
Amanda Maria Souza de Oliveira responde pelos crimes de falsa identidade e estelionato.
O caso ganhou repercussão após a descoberta de que Amanda viveu durante cerca de 14 meses na casa de uma família que a acolheu como filha adotiva.
A fraude veio à tona em 2 de junho, quando ela foi presa na residência das vítimas.
Em depoimento à polícia, a investigada admitiu ter aplicado o mesmo tipo de golpe em outras localidades, incluindo Curitiba, Nova Iguaçu e cidades nos estados de Minas Gerais, Goiás e Ceará.
De acordo com a Polícia Civil, a aproximação ocorreu por intermédio de um pastor de uma igreja local.
Inicialmente, Amanda se apresentou com o nome falso de Gabriele e afirmou ter 18 anos.
Ela disse possuir experiência na área de panificação e estar em busca de uma oportunidade de trabalho.
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Com o passar do tempo, passou a relatar problemas de saúde e dificuldades financeiras, despertando a solidariedade da família.
Depois de conquistar a confiança dos moradores, alterou a versão apresentada e afirmou que, na verdade, tinha apenas 11 anos, além de alegar ter sido vítima de abusos.
Sensibilizado com a situação, o casal a convidou para morar na residência.
A mulher chegou a participar de uma comemoração pelos seus supostos 12 anos e recebeu apoio para tratamento de emagrecimento com o medicamento Mounjaro.
As suspeitas surgiram apenas no fim de maio, quando uma tia da família realizou buscas na internet e encontrou reportagens relacionadas a ocorrências semelhantes atribuídas à acusada em outros estados.
A partir daí, o caso foi comunicado às autoridades e deu origem à investigação que resultou na prisão e, agora, na abertura da ação penal.
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