‘Muito satisfeito com a notícia’, diz agricultor após confirmação de petróleo em sítio no Ceará

‘Muito satisfeito com a notícia’, diz agricultor após confirmação de petróleo em sítio no Ceará

 

Fonte: Bandeira



O agricultor Sidrônio Moreira diz estar “muito satisfeito” com a confirmação de que a substância encontrada por acaso enquanto tentava perfurar um poço artesiano em seu terreno, no interior do Ceará, é petróleo cru. A comprovação chegou por meio de documentos enviados por e-mail pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), nesta quarta-feira. Agora, tanto o trabalhador rural quanto seus familiares projetam possíveis ganhos financeiros.

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— Essa noite recebi a notícia de que o líquido encontrado aqui na propriedade é petróleo. Fiquei muito satisfeito. Já estava esperando essa notícia boa. Agora é aguardar os próximos passos e torcer para que tudo avance logo — disse Sidrônio em vídeo enviado ao GLOBO.

Com a confirmação, a família espera obter retorno financeiro no futuro. Filho de Sidrônio, o consultor de vendas Saulo Ferreira afirma que, até o momento, a descoberta gerou apenas despesas. “Por enquanto, tudo o que tivemos foram custos e movimentações relacionadas à descoberta. Nossa esperança é que, se tudo avançar positivamente no futuro, possamos ter algum retorno que nos ajude financeiramente”, fala.

Apesar da expectativa, Saulo diz compreender que a confirmação do petróleo é apenas o início de um processo longo até uma eventual utilização econômica da reserva. Agora, serão realizados novos estudos geológicos na propriedade, localizada em Tabuleiro do Norte, para avaliar tecnicamente a área.

Antes do início efetivo da exploração, a ANP divide a região da jazida em blocos exploratórios, ou seja, em diferentes áreas que serão leiloadas para que empresas possam atuar na extração de petróleo.

Todo o processo, desde a identificação da reserva até a conclusão dos levantamentos, realização dos leilões, implantação da estrutura operacional e obtenção das licenças ambientais, pode levar anos.

Caso as análises comprovem a viabilidade econômica da extração, Sidrônio poderá receber uma compensação financeira prevista em lei, que varia entre 0,5% e 1% do valor da produção.

Sobre o uso das riquezas do subsolo, a família foi informada de que, apesar de manter a propriedade da terra, o subsolo pertence à União e apenas o governo federal pode autorizar sua exploração.

A descoberta do petróleo

Em novembro de 2024, Sidrônio decidiu usar as economias da aposentadoria para perfurar um poço em busca de água para abastecer a casa da família. Em vez de água, porém, jorrou um líquido escuro e espesso.

Pesquisadores do Instituto Federal do Ceará passaram então a acompanhar o caso. As análises iniciais indicaram que o material era uma mistura de hidrocarbonetos com características muito próximas às do petróleo extraído na Bacia Potiguar, região produtora localizada entre o Ceará e o Rio Grande do Norte.

Em uma nova tentativa, o agricultor e seus familiares abriram um segundo poço, cerca de 50 metros adiante. O resultado se repetiu: novamente surgiu uma substância semelhante a petróleo.

Técnicos da ANP visitaram a propriedade em março deste ano, após a repercussão do caso. Segundo a agência, o achado surpreendeu os especialistas porque o material foi encontrado em uma profundidade considerada rasa, em torno de 40 metros.

Apesar da descoberta do petróleo, a família segue enfrentando dificuldades hídricas. No momento, Saulo afirma que a situação está um pouco mais tranquila devido ao período de chuvas, mas diz estar preocupado com a chegada do verão.