Muito além da balança: Dr. Pedro Soares defende tratamento estratégico, científico e individualizado da obesidade
Em meio ao crescimento das chamadas canetas emagrecedoras e às discussões sobre novas medicações promissoras, o debate sobre obesidade nunca esteve tão em evidência. No centro dessa conversa está um ponto essencial que muitas vezes se perde no marketing: obesidade é uma doença crônica, progressiva e multifatorial.
Para o cirurgião bariátrico Dr. Pedro Soares, essa é a base de qualquer decisão terapêutica. “Obesidade não é falta de força de vontade. É biologia, genética, ambiente e comportamento interagindo o tempo todo. Quando o paciente entende isso, ele deixa de se culpar e começa a buscar tratamento com responsabilidade”, afirma.
Especialista em cirurgia bariátrica e metabólica, com atuação voltada também ao tratamento do diabetes tipo 2 associado à obesidade, o médico defende que a discussão moderna não deve ser simplificada em cirurgia versus canetas. “O que existe hoje é ampliação do arsenal terapêutico. Temos medicamentos mais potentes do que nunca e cirurgias cada vez mais seguras. A pergunta correta não é qual é melhor. É qual é melhor para aquele paciente específico.”
Canetas emagrecedoras e a evolução da medicina metabólica
Os medicamentos injetáveis mais conhecidos pertencem à classe dos agonistas de incretinas. Entre eles estão semaglutida, liraglutida e tirzepatida.
A semaglutida e a liraglutida atuam no receptor de GLP-1, hormônio ligado à saciedade e ao controle glicêmico. Já a tirzepatida atua como agonista duplo de GLP-1 e GIP, potencializando o efeito metabólico.
Os resultados chamam atenção. A liraglutida promove perda média de 8 a 10 por cento do peso corporal. A semaglutida, em dose plena, pode alcançar de 12 a 15 por cento, chegando perto de 20 por cento em alguns pacientes. A tirzepatida apresenta médias entre 15 e 22 por cento, dependendo da dose.
“São resultados expressivos. Em alguns casos, começam a se aproximar de faixas historicamente vistas apenas com cirurgia. Mas existe um detalhe importante: a maioria dos estudos é de acompanhamento limitado. Quando o medicamento é suspenso, há tendência de recuperação parcial do peso. Além disso, o uso costuma ser crônico”, explica o médico.
Ele reforça que os medicamentos funcionam, mas não necessariamente representam solução definitiva. “Funciona? Sim. É definitivo? Não necessariamente. Por isso precisamos avaliar expectativa, perfil clínico e sustentabilidade.”
Outro nome que tem gerado expectativa é a retatrutida, um agonista triplo que atua em GLP-1, GIP e glucagon. Em estudos de fase 2, apresentou perdas superiores a 20 por cento, aproximando-se de 24 por cento em alguns grupos.
“O entusiasmo é compreensível, mas ainda não está aprovada para comercialização. Precisamos de estudos de fase 3, acompanhamento de longo prazo e avaliação robusta de segurança. Em medicina séria, entusiasmo nunca pode andar na frente da evidência”, pontua.
A força da cirurgia bariátrica
Apesar dos avanços farmacológicos, a cirurgia bariátrica segue como o tratamento mais eficaz para obesidade grave.
Procedimentos como bypass gástrico e gastrectomia vertical promovem perda média de 25 a 35 por cento do peso corporal total, além de efeitos metabólicos potentes.
“A diferença não está apenas em quanto o paciente emagrece, mas na magnitude e na durabilidade da resposta metabólica. A cirurgia reduz grelina, aumenta hormônios intestinais, melhora resistência insulínica e pode levar à remissão do diabetes tipo 2”, destaca.
Pedro Soares
Arquivo pessoal
Segundo o especialista, trata-se de uma intervenção única, mas que exige acompanhamento permanente. “Não é um evento isolado. É o início de um processo que precisa de suporte multiprofissional e compromisso do paciente.”
Para quadros de obesidade grave, múltiplas comorbidades ou diabetes mal controlado, a cirurgia ainda apresenta os resultados mais consistentes em longo prazo. Já para pacientes com IMC mais baixo ou que não desejam procedimento cirúrgico, as medicações podem ser excelentes ferramentas.
Indicação responsável e ética médica
O que diferencia a atuação do Dr. Pedro é sua filosofia profissional. Ele é crítico da banalização da cirurgia bariátrica como produto comercial e defende que sua indicação deve seguir critérios técnicos rigorosos.
“Não indico cirurgia para quem não precisa e não nego tratamento para quem realmente precisa. A decisão deve ser baseada em evidência científica, avaliação clínica completa e respeito à saúde física, emocional e financeira do paciente.”
Sua abordagem une rigor científico, segurança técnica, acompanhamento individualizado, educação do paciente e foco em resultados duradouros.
Além da prática cirúrgica, ele investe na formação de pacientes mais conscientes. Orienta sobre os riscos reais da obesidade para a saúde, explica quando a cirurgia é a melhor opção terapêutica, ajuda a superar o medo do procedimento e trabalha estratégias para evitar recidiva no pós-operatório.
Também aborda temas como resistência familiar, adaptação emocional e prevenção de complicações. “Decisão informada é decisão segura. O paciente precisa entender o que está fazendo e por quê.”
Tratamento como estratégia, não impulso
Para o médico, o maior erro é transformar o tratamento da obesidade em impulso. “Obesidade é doença crônica. O tratamento precisa ser estratégia. Entre promessas milagrosas e decisões precipitadas, o que realmente muda desfecho é indicação correta e individualização.”
Com atuação consolidada em cirurgia bariátrica, cirurgia metabólica e tratamento do diabetes tipo 2 associado à obesidade, o Dr. Pedro Soares defende que ciência, ética e acompanhamento contínuo são os pilares para transformar não apenas o peso, mas a saúde integral do paciente.
Dr. Pedro Soares - CRM 20.735
Site: www.drpedrosoares.com
Instagram: @pedrohlsoares
