'Muita gente em pânico': Turbulência em avião deixa dez feridos e faz bebidas 'voarem' no teto em vôo entre Austrália e Hong Kong; imagens
Dez pessoas ficaram feridas depois que um voo da Cathay Pacific que seguia de Brisbane, na Austrália, para Hong Kong enfrentou uma turbulência severa no fim de semana. O voo CX156, operado por um Airbus A350-900, foi atingido pelo fenômeno cerca de duas horas antes do pouso, quando, segundo passageiros, a aeronave caiu repentinamente no ar e lançou pessoas, celulares, cafés e carrinhos de comida pela cabine.
A Cathay Pacific confirmou que os feridos eram seis tripulantes e quatro passageiros. O avião pousou em segurança no Aeroporto Internacional de Hong Kong por volta das 6h45 de domingo, no horário local. Equipes médicas entraram na aeronave após o desembarque, e oito pessoas foram levadas a hospitais próximos para atendimento. A companhia afirmou que os ferimentos eram “leves”.
O empresário australiano Nicholas Stevenson, de Cairns, estava a bordo e disse que temeu morrer quando o “avião simplesmente caiu”.
— Eu pensei que o avião estava caindo — afirmou. — Havia celulares voando, cafés espatifados no teto, comida absolutamente por toda parte. As pessoas estavam gritando. Havia muita gente realmente em pânico.
Segundo Stevenson, a turbulência aconteceu sem aviso, no momento em que a tripulação havia acabado de iniciar o serviço de café da manhã no voo noturno.
— Eles tinham acendido as luzes, as pessoas estavam acordando, e tinham começado a distribuir as refeições — disse. — Não havia sinal de cinto de segurança nem aviso antes.
Ainda de acordo com o passageiro, a aeronave sofreu duas quedas em sequência.
— A primeira pegou todo mundo completamente desprevenido, e então, provavelmente 15 ou 20 segundos depois, aconteceu de novo — relatou. — Pessoas que tinham acabado de conseguir voltar para os assentos ou se segurar em alguma coisa foram arremessadas de novo.
Stevenson afirmou que a força da turbulência lançou passageiros e objetos que não estavam presos.
— Qualquer um que não estivesse com o cinto bateu no teto — disse.
Ele acrescentou que os tripulantes pareceram ter sofrido os piores ferimentos, porque estavam em pé nos corredores com carrinhos pesados de serviço quando a aeronave caiu.
— A equipe foi atingida com força, porque não só foi arremessada, como os carrinhos de comida também voaram contra eles — afirmou.
O passageiro disse que a gravidade do episódio ficou clara quando foram feitos anúncios na cabine perguntando se havia médicos a bordo.
— Eles começaram a fazer anúncios pedindo médicos — contou. — Foi quando percebemos que havia algumas pessoas bastante feridas.
Quatro médicos que viajavam no voo ajudaram passageiros e tripulantes feridos enquanto a aeronave seguia para Hong Kong.
— Não havia realmente outro lugar para pousar — disse Stevenson. — Eles trataram as pessoas no fundo do avião enquanto continuávamos voando.
De acordo com o passageiro, o piloto pediu desculpas e explicou depois que a aeronave havia encontrado um sistema meteorológico com pouco aviso.
— O piloto disse que eles acreditavam que era algum tipo de célula de trovão ou relâmpago — afirmou. — Ele disse que eles realmente não viram no radar até o último minuto porque estava escuro.
Stevenson disse que havia ajuda médica esperando na pista.
— Quando pousamos, disseram para todos ficarem sentados porque as pessoas feridas precisavam sair primeiro — relatou.
Apesar do susto, ele afirmou que não se feriu porque manteve o cinto afivelado durante o voo.
— Eu só me lembro de pensar que não há muito o que fazer em uma situação dessas — disse. — Meus pais foram da Força Aérea, e meu pai sempre dizia que, se um avião está caindo, não há realmente muito que você possa fazer. Então, eu apenas fiquei sentado com o cinto, esperando pelo melhor.
O Departamento de Relações Exteriores e Comércio da Austrália informou estar ciente de que dois australianos foram hospitalizados e disse que prestaria assistência, se solicitada.
Outra passageira relatou ao “South China Morning Post” que teve a sensação de estar em “queda livre de uma torre”, enquanto pessoas gritavam. Segundo ela, a queda repentina de altitude durou cerca de dois segundos e ocorreu quando comissários estavam prestes a servir refeições aos passageiros da classe econômica.
Em nota, a Cathay Pacific informou que “equipes médicas embarcaram na aeronave para avaliar as condições de um pequeno número de passageiros e tripulantes que relataram mal-estar, e eles receberam o mais alto nível de cuidado”.
— Seis tripulantes de cabine e quatro passageiros relataram ferimentos leves, e oito deles foram enviados ao hospital para cuidados médicos adicionais — disse a companhia.
Imagens publicadas no Instagram pelo perfil Aviation Knowledge, atribuidas ao voo, mostram máscaras de oxigênio penduradas no teto, comida espalhada pelo chão, uma funcionária sentada em uma maca de ambulância e um carrinho de comida tombado na galley.
Turbulência pode aparecer ‘do nada’
O professor associado de Aviação da CQUniversity Steven Leib afirmou que o corredor entre a Austrália e o Sudeste Asiático é um “ponto quente de turbulência”, por causa do encontro de sistemas meteorológicos sobre terra e oceano. Segundo ele, há várias explicações possíveis para o sinal de cinto de segurança não ter sido ligado antes do incidente.
— Eles podem não ter conseguido detectar porque poderia estar embutido em outras tempestades — disse o professor Leib. — Também é possível que os pilotos tenham detectado e visto o sistema, mas ele não parecia suspeito em termos de potencial de turbulência.
Ele afirmou que a turbulência pode aparecer “do nada”.
— Também há uma propensão para a turbulência acontecer a qualquer momento, por qualquer razão ou sem razão, e chamamos isso de turbulência de ar claro — explicou.
O especialista destacou que a principal orientação de segurança é simples.
— Mantenha sempre o cinto de segurança afivelado — disse. — O sinal de cinto desligado não promete ausência de turbulência. A aeronave é projetada para aguentar muito mais do que podemos imaginar. Pode parecer extremamente perturbador e desconcertante, mas, da perspectiva da aeronave, a vasta maioria das turbulências não é nada.
Esses incidentes costumam ser investigados por autoridades, com análise de dados de voo e de cabine. A Cathay Pacific informou que coopera integralmente com as autoridades e que presta apoio aos passageiros e tripulantes afetados.
