MPRJ pede imagens de câmeras corporais de policiais do Bope; PM não diz se militares usavam ou não equipamento

 

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Promotores do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública, do Ministério Público do Rio de Janeiro, (Gaesp/MPRJ), informaram ter solicitado, nesta quinta-feira, imagens de câmeras corporais usadas por policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) na operação que deixou oito pessoas mortas, no Morro dos Prazeres, entre elas, o morador Leandro da Silva Sousa. Até o momento, a Polícia Militar não informou se os agentes estavam com câmeras nem se os equipamentos estavam em funcionamento.

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Perguntada pela reportagem, nesta quinta-feira, se os PMs envolvidos na operação usavam ou não câmeras corporais, e se suas armas já haviam sido apreendidas, a corporação não respondeu aos questionamentos.

Segundo o MPRJ, a A 2ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada do Núcleo Rio de Janeiro ficará responsável pela apuração. Além disto, a Promotoria de Auditoria Militar informou que também requisitou as imagens das câmeras corporais de todos os policiais militares envolvidos, bem como demais informações para a Corregedoria da Polícia Militar (CGPM) para análise.

Policiais durante operação no Morro do Prazeres

Gabriel de Paiva/ Agência O Globo

Nesta quarta-feira, o secretário de Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes, e o comandante do Bope, tenente-coronel Marcelo Corbage, disseram que a corporação tentou negociar, por cerca de 15 minutos, a rendição de seis traficantes, responsáveis por invadir uma casa de dois cômodos, durante uma operação no Morro dos Prazeres. Segundo os oficiais, os bandidos fizeram disparos e um dos tiros teria  acertado o morador Leandro. Na versão dos militares, os homens do Bope apenas revidaram os disparos.

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Já nesta quinta-feira, a viúva de Leandro, Roberta Ferro Hipólito, que também estava na residência com o marido, deu uma outra versão sobre ocorrido. Ela disse que os criminosos prometeram se entregar, mas que a polícia invadiu o imóvel usando uma granada e abrindo fogo. Ainda segundo a mulher, um policial tentou induzi-la a mentir em depoimento, falando que ela deveria dizer à Polícia Civil que um bandido atirou no marido. 

Mais cedo, a Polícia Militar divulgou nota informando que instaurou um procedimento interno para apurar o que aconteceu  durante a operação.

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A operação deflagrada pela PM, nesta quarta-feira, tinha o objetivo de capturar  o traficante Cláudio Augusto dos Santos, o Jiló. Com 135 passagens pela polícia, e com 13 mandados de prisão expedidos pela Justiça em seu nome, Jiló foi localizado em um matagal, na parte alta do Morro dos Prazeres. Baleado, em uma troca de tiros, ele foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. 

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